O ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, defendeu que as revelações do ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA), Edward Snowden, sobre a espionagem de cidadãos de todo o mundo por parte da agência podem ter sido «benéficas a longo prazo».

Carter não considera Snowden inocente, e admite que o ex-analista deve ser julgado caso regresse aos Estados Unidos, mas não concorda com um castigo de força maior como uma execução por traição à pátria.

O ex-chefe de Estado, hoje com 89 anos, afirma que as divulgações podem ter sido benéficas, porque as pessoas têm o direito de saber o tipo de coisas que o governo faz, principalmente depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.

«Não há dúvida que ele violou a lei e que está sujeito, na minha opinião, a um julgamento caso volte para os EUA, mas acho que é bom que os americanos saibam o tipo de coisas que ele, e outros, revelaram. Pois, desde o 11 de setembro já fomos longe demais nas invasões de privacidade dos americanos, que é um direito de cidadania», disse Carter ao «USA Today».

Carter descreveu que ele próprio ficou preocupado com a possibilidade de os seus e-mails e telefonemas estarem a ser monitorizados por agências de inteligência, e admitiu que voltou a escrever cartas cada vez tem uma mensagem para um líder estrangeiro, antes de enviar um e-mail. Ainda que desconfie, que também as cartas sejam monitorizadas nas embaixadas americanas.

«Acho que está errado. Acho que [a espionagem] é uma invasão a um dos direitos básicos dos americanos, que é ter algum grau de privacidade se não queremos que outras pessoas leiam o que escrevemos», afirmou.

O ex-presidente dos EUA afirmou que não sabe se as divulgações de Snowden colocaram em risco operações nacionais, pois se soubesse «talvez a sua opinião fosse outra». No entanto, considera que é inevitável que Snowden seja julgado.

«Acho que é inevitável que seja julgado» se voltar aos EUA. «Mas não concordo que seja executado por traição ou qualquer castigo extremo como esse», afirmou Carter.