A polícia australiana lançou esta quinta-feira uma série de operações antiterrorismo antes do amanhecer em Sydney e Brisbane que, diz, interromperam planos para «cometer atos violentos na Austrália», incluindo contra cidadãos comuns.

«A polícia acredita que este grupo, sobre o qual incidiu esta operação, tinha começado a delinear um plano para cometer vários atos violentos na Austrália», explicou o chefe da polícia Andrew Colvin.

«Esses atos violentos seriam aleatórios contra membros da população», disse.

As ações policiais australianas foram desencadeadas pelo apelo a «homicídios» no país feitos por um alto dirigente do Estado Islâmico, disse o primeiro-ministro Tony Abbott.

«Os apelos, muito diretos, vinham de um cidadão australiano que, aparentemente, tem um posto muito alto no Estado Islâmico e que garantia ligações de apoio na Austrália para perpetrar homicídios no país», disse o chefe do Governo de Camberra.

Tony Abbott explicou ainda que as declarações não foram apenas uma suspeita, mas algo de concreto que motivou a ação policial.

Também as cidades norte-americanas de Nova Iorque e Las Vegas reforçaram quarta-feira a segurança dos seus principais pontos turísticos depois do grupo jihadista Estado Islâmico ter apelado em fóruns da internet aos «lobos solitários» dos Estados Unidos para perpetrarem atentados.

«Esta é a primeira vez que o Estado Islâmico usa este meio para inspirar um ataque com lobos solitários. Estamos bastante preocupados por o Estado Islâmico ter maior capacidade que a Al Qaida para captar militantes através das redes sociais» disse William Bratton, comissário da polícia.

O mesmo responsável explicou que o perigo advém de Nova Iorque «estar apenas a uma viagem de avião» dos militantes do Estado Islâmico treinados na Síria e com passaporte ocidental.

Ocidente enfrenta dificuldades em cortar financiamento do Estado Islâmico

Os governos do Ocidente enfrentam uma difícil batalha para enfraquecer o financiamento do Estado Islâmico, já que os «jihadistas» operam como uma «máfia», descrevem analistas citados pela AFP.

Ao contrário da Al Qaeda, financiada quase exclusivamente com doações privadas, o Estado Islâmico controla uma vasta área na Síria e no Iraque que lhe permite gerar receitas através de extorsões, raptos e contrabando de petróleo e antiguidades.

Assim, o ataque financeiro torna-se muito mais difícil para os países ocidentais, em comparação com o que acontecia às contas da Al Qaeda, afirma Evan Jendruck, um analista da consultora IHS Jane, como cita a Lusa.