Um alemão de 20 anos foi condenado a três anos e nove meses de prisão por se ter juntado às forças do Estado Islâmico o ano passado, na Síria, naquele que foi o primeiro julgamento do género na Alemanha. Kreshnik Berisha foi acusado de ter pertencido a uma organização terrorista, mas conseguiu escapar a uma pena mais pesada que poderia ter ido até aos 10 anos de prisão - a pena máxima para este crime, na Alemanha.

Para que pudesse ter uma pena mais leve os procuradores alemães ofereceram-lhe um acordo que, por um lado, implicava a confissão do crime e, por outro, exigia que Berisha revelasse algumas informações sobre a atuação das forças dos rebeldes.

O jovem, que confessou ter combatido nas fileiras dos jihadistas durante seis meses, tinha sido detido no aeroporto de Frankfurt em dezembro de 2013, e começou a ser julgado em setembro deste ano.
 
São cerca de 500 os alemães que se juntaram ao Estado Islâmico, segundo os dados dos serviços de inteligência da Alemanha. Berlim estima que 60 destes indivíduos terão morrido em combate ou em ataques suicidas e cerca de 180 terão regressado ao país, tal como Berishka.

Com 19 anos, ele queria ser um mártir do Estado Islâmico

Bersiham, cujos pais são imigrantes provenientes do Kosovo, nasceu em Frankfurt. Nada fazia prever que se juntasse aos jihadistas: aluno mediano, completou o ensino secundário e na adolescência era jogador de futebol no clube Maccabi Frankfurt.

A ligação ao Islão terá surgido quando iniciou a Escola Profissional, como escreve o jornal alemão «Der Spiegel». Aí, terá conhecido um grupo peculiar de jovens islamitas que não falavam com os professores e que abandonavam as aulas sempre que se abordava o tema da sexualidade. O grupo era visto frequentemente na mesquita Abubakr, em Frankfurt. 

Nos finais de julho de 2013, sete membros do grupo, onde se incluía Kreshnik, na altura com 19 anos, foram para Istambul, na Turquia, de autocarro, e daí partiram para a Síria. 

Na Síria, Kreshnik recebeu treino militar, participou numa campanha de recrutamento perto de Aleppo e, para o fim, fez um voto de lealdade ao Estado Islâmico. Entre julho e dezembro de 2013, combateu ao lado dos jihadistas. Os procuradores alemães afirmam que terá participado em pelo menos três combates. 

Numa conversa telefónica com uma das duas irmãs mais velhas, o jovem terá dito que estava «farto de viver na Alemanha» e que na Síria havia uma grande possibilidade de nascer um Estado Islâmico. Mais tarde, Kreshnik afirmava mesmo que a jihad era um dever de «todos os muçulmanos» e que queria ser um mártir, em nome de Alá. 

«Descanso, luto, faço o meu trabalho por Alá», afirmou, numa conversa por Skype com a irmã. 


No entanto, Kreshnik terá mudado de ideias quanto à sua lealdade aos jihadistas e decidiu regressar à Alemanha. O jovem acabou detido no aeroporto de Frankfurt em dezembro de 2013 e foi mantido sob custódia desde então.