A polícia francesa prendeu esta quarta-feira um adolescente de 15 anos suspeito de planear um atentado e de usar canais criptografados de redes sociais para se comunicar com um militante islâmico francês que se acredita estar na Síria ou no Iraque, indicam fontes citadas pela agência Reuters.

Numa operação liderada pela agência de inteligência doméstica da França, a polícia deteve o jovem no 20º distrito de Paris, localizado no leste da capital francesa.

O suspeito, “que se ofereceu para realizar uma ação terrorista”, nasceu em setembro de 2001 e estava “em contacto com o extremista francês Rachid Kassim”, cujo nome figura numa dúzia de investigações sobre atentados ou projetos de atentados na França, indicam à AFP fontes ligadas à investigação.

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, confirmou a detenção.

"Estamos a trabalhar com extrema intensidade para identificar aqueles que achamos que provavelmente irão realizar um ataque", disse o governante aos jornalistas.

Bernard Cazeneuve acrescentou que o Estado Islâmico está a recrutar "indivíduos cada vez mais jovens".

Foi a segunda vez que um jovem de 15 anos suspeito de planear mortes em nome do Estado Islâmico foi preso em cinco dias. No sábado, outro adolescente de 15 anos, que também tinha vínculos com Kassim e que se suspeita que estava prestes a cometer um ataque com faca, foi detido na capital francesa.

Rachid Kassim num vídeo de propaganda do Estado Islâmico

Uma fonte da procuradoria-geral disse que os dois jovens utilizaram a aplicação de mensagens criptografadas Telegram para estabelecer contacto com Rachid Kassim, um jihadista do Estado Islâmico de nacionalidade francesa.

As duas prisões acontecem depois da detenção de três mulheres, incluindo uma de 19 anos, que supostamente pretendiam atacar uma estação de comboios em Paris usando um carro repleto de botijas de gás.

Quem é Rachid Kassim?

Rachid Kassim, um jovem de 29 anos que partiu da França em 2012 para se unir ao grupo Estado Islâmico, lança há mais de seis meses convocações para atacar a França através da aplicação Telegram, dando instruções detalhadas e listas de alvos principais.

Rachid Kassim teria inspirado o assassinato em junho de um polícia e da esposa nos arredores de Paris e teria dado instruções aos dois assassinos de um padre numa igreja na Normandia no fim de julho.

Também se suspeita que Kassim tenha dado instruções ao comando de mulheres que tentou detonar perto da catedral Nôtre-Dame em Paris um veículo carregado de botijas de gás no início de setembro.

A França ainda se recupera de uma onda de atentados de militantes jhiadistas que mataram mais de 230 pessoas desde janeiro de 2015 e os serviços de inteligência realizam esforços para desmantelar uma teia de redes de militantes dentro do país.

Os ataques têm variado em estilo e perfil de agressor. Em novembro de 2015, um grupo de homens-bomba e atiradores matou 130 pessoas num ataque sofisticado e coordenado em vários locais de Paris. Em julho deste ano, um motorista tunisino matou 86 pessoas lançando um camião contra uma multidão numa avenida de Nice. Também em julho, dois militantes degolaram um padre idoso no altar de uma igreja no norte do país.