Duas das quatro filhas do rei Abdullah, da Arábia Saudita, colocaram um vídeo na internet, esta quinta-feira, onde afirmam estarem sem água nem comida desde que denunciaram, em março, a prisão domiciliária a que estão forçadas há mais de uma década.



Sahar Abdullah Al-Saud (à direita) e a irmã Jawaher voltam a denunciar a prisão, alegadamente, imposta pelo seu pai e irmãos, dentro de duas casas do palácio real, em Jidá, e apelam à intervenção de organizações internacionais como a ONU «antes que algum tipo de tragédia aconteça».

«Estamos a filtrar água do mar e a comer alimentos fora da validade [para sobreviver]. Estão a matar-nos à fome», afirma Sahar no vídeo.

As duas irmãs tinham denunciado, em março, a prisão domiciliária a que estão sujeitas há 13 anos, juntamente com outras duas filhas do rei.

Jawaher apela à comunidade internacional que «veja o que se passa» naquela casa, em vez de ser cúmplice do que está a acontecer.

«Não aceitamos o argumento de que se trate de uma disputa familiar. Não se pode ter as filhas sequestradas e apelidar isso de disputa familiar, quando se negam direitos humanos como comida, água, o direito a viver ou a movimentar-se», diz Sahar.

As duas filhas admitem que têm acesso livre à internet, e que isso é apenas uma forma desacreditar a sua história.

A mãe das duas mulheres, que vive em Londres desde o seu divórcio, em 2003, também já tinha denunciado a prisão das filhas, escrevendo, até, uma carta ao presidente dos EUA, Barack Obama, a pedir a sua intervenção.

«Alguém tem de intervir, as minhas filhas não são criminosas, não mataram ninguém. Há 13 anos, Sahar, Maha, Hala e Jawaher estão sob prisão domiciliária, estão a morrer à fome e precisam ser libertadas imediatamente», escreveu Alanoud Alfayez.