O movimento islâmico Hamas apelou esta quinta-feira a uma nova revolta popular palestiniana contra a decisão do presidente dos Esatdos Unidos, Donald Trump, que reconheceu Jerusalém como a capital de Israel.

Só podemos enfrentar a política sionista - apoiada pelos Estados Unidos - lançando uma nova Intifada”, disse o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, num discurso na Faixa de Gaza.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu na quarta-feira Jerusalém como capital de Israel, tornando-se no único país do mundo a tomar essa decisão que representa uma rutura em relação a décadas de neutralidade da diplomacia norte-americana no âmbito do processo israelo-palestiniano.

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Donald Trump afirmou que "há muito que já deveria ter sido tomada" esta decisão, num anúncio que foi recebido por uma onda de contestação diplomática na Europa e no Médio Oriente,

O presidente norte-americano também anunciou que vai dar ordens ao Departamento de Estado para mudar a embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém.

Anúncio de Trump pode trazer "tempos mais sobrios"

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, disse hoje que a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital israelita, pode levar a “tempos ainda mais sombrios”.

O anúncio do chefe de Estado norte-americano pode “levar-nos a tempos ainda mais sombrios do que os que vivemos hoje”, disse Mogherini, numa conferência de imprensa em que reiterou que a UE defende a solução de Jerusalém como capital dos dois Estados de Israel e da Palestina.

“O anúncio do Presidente Trump sobre Jerusalém tem um impacto potencial muito preocupante”, acrescentou, sublinhando que o contexto da região “é muito frágil”.

Trump "entrou para sempre na história" de Jerusalém 

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, considerou esta quinta-feira que o presidente dos Estados Unidos "entrou para sempre na história" de Jerusalém, ao reconhecer a cidade como a capital de Israel.

O presidente Trump entrou para sempre na história da nossa capital e o seu nome será exibido orgulhosamente junto com outros nomes na gloriosa história da nossa cidade", disse Netanyahu num evento público organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel.

Confrontos e manifestações na Cisjordânia e na Faixa de Gaza

Várias localidades da Cisjordânia foram palco esta quinta-feira de confrontos entre manifestantes palestinianos e militares israelitas, enquanto na Faixa de Gaza populares queimaram fotografias de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu e bandeiras dos Estados Unidos e de Israel.

Os incidentes registaram-se em protestos contra a decisão, anunciada na quarta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e depois do líder do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, ter apelado a uma nova Intifada, depois de logo na quarta-feira dirigentes do movimento terem declarado três “dias de ira”, entre esta quinta-feira e sábado.

Na Cisjordânia, grupos de centenas de manifestantes incendiaram pneus e lançaram pedras contra tropas antimotim.

Na cidade bíblica de Belém, as tropas dispararam canhões de água e lançaram granadas de gás lacrimogéneo para dispersar uma manifestação e em Ramallah, sede do governo palestiniano, manifestantes incendiaram dezenas de pneus, provocando uma espessa nuvem de fumo negro sobre a cidade.

Nos territórios palestinianos, as escolas e lojas não abriram esta quinta-feira, primeiro de três “dias de ira” em protesto pela decisão do presidente norte-americano.

Protestos foram realizados em várias localidades e também em Jerusalém, junto à Porta de Damasco, na cidade velha.

Até ao momento não há informações de vítimas graves dos confrontos.

Israel destaca reforços militares na Cisjordânia 

O exército israelita anunciou esta quinta-feira que vai destacar forças suplementares na Cisjordânia, território palestiniano ocupado, após a decisão do presidente dos EUA de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

Um porta-voz do exército israelita indicou que os batalhões adicionais vão ser enviados para a Cisjordânia, e que outras forças estarão prontas para intervir, depois do controverso anúncio de Donald Trump ter levantado receios de uma onda de violência.

O exército israelita não referiu, porém, o número de efetivos em causa.

Decisão de Trump lança Médio Oriente para “círculo de fogo”

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusou esta quinta-feira o homólogo norte-americano de lançar o Médio Oriente para um “círculo de fogo” com a controversa decisão de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

Fazer isso é lançar a região para um círculo de fogo”, afirmou Erdogan, aos jornalistas, a partir do aeroporto de Ancara. “Trump, o que é que tu queres fazer? Os líderes políticos não estão lá para agitar as coisas, mas antes para as pacificar. Agora, com estas declarações, Trump cumpre as funções de uma batedeira”, disse Erdogan, aos jornalistas, no aeroporto da capital, perante uma multidão que exibia cartazes com mensagens como “Abaixo Israel” ou “Não te rendas, a nação apoia-te”.

“Os Estados não respeitam de todo as decisões da ONU. Até agora, além dos Estados Unidos e Israel, nenhum país violou a decisão da ONU de 1980”, afirmou o presidente turco em referência à resolução das Nações Unidas que define Jerusalém como cidade ocupada e apela para que não sejam ali instaladas embaixadas até que o conflito seja resolvido.

É impossível entender o que é que Trump pretende conseguir ao trazer novamente este assunto para a ordem do dia”, observou Erdogan, sublinhando que Jerusalém é uma Cidade Santa para judeus, cristãos e muçulmanos.

O presidente turco recordou a convocatória de uma cimeira extraordinária de líderes da Organização para a Cooperação Islâmica, a ter lugar na quarta-feira na cidade de Istambul, para abordar a questão, indicando que se planeiam também “atividades depois” dessa reunião.

Estou a chamar vários dirigentes, e não apenas de países islâmicos. Pedi para falar com o Papa [e] iremos conversar esta noite ou amanhã, porque [Jerusalém] também é um templo para os cristãos. Falarei com [o Presidente russo, Vladimir] Putin, com a Alemanha, Inglaterra, França, Espanha”, salientou Erdogan.

“Se Trump pensa que é forte e, por isso, tem a razão, engana-se. Os fortes não têm razão, os que têm razão é que são os fortes”, concluiu o presidente turco antes de partir para uma visita oficial à Grécia, a primeira de um chefe de Estado turco em 65 anos.

França condena "decisão unilateral"

Também o presidente francês, Emmanuel Macron, condenou hoje a "decisão unilateral" dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

"A questão de Jerusalém é uma questão de segurança internacional. A solução só pode ser encontrada através de negociações entre israelitas e palestinianos sob a égide da ONU."

Classificando a opção norte-americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel como uma "decisão unilateral", Macron disse: "Não partilho desta decisão e desaprovo-a".

Afirmou ainda que a França continua a defender "uma solução de dois Estados, israelita e palestiniano, com Jerusalém como capital de ambos".