Jennifer Pan tinha tudo para ser a filha perfeita. Tinha terminado o ensino secundário, numa prestigiada escola católica a norte de Toronto, no Canadá, com notas exemplares. Tinha entrado numa das melhores universidades de Toronto e terminado o curso de Farmácia com distinção. Conseguira emprego num hospital pediátrico.

Jennifer era o orgulho dos pais, Bich Ha e Huei Hann Pan, refugiados do Vietname, que trabalhavam arduamente numa fábrica de componentes de automóveis para dar um melhor futuro aos dois filhos.

Só que Jennifer vivera uma vida de mentira. Não tinha emprego, nunca tinha frequentado a universidade e nem sequer tinha terminado o liceu.

Jennifer Pan (Imagem cedida pelo Tribunal)

Quando os pais descobriram as mentiras de Jennifer castigaram-na como quem castiga um adolescente mal comportado: ficou sem computador, sem telemóvel e proibida de ver o namorado, Daniel, por quem era obcecada.

A história é agora contada, numa longa reportagem na revista Toronto Life. A jornalista que assina a peça conhece bem Jennifer e viveu de perto alguns pormenores da mentira: foi colega dela no Mary Ward Catholic Secondary School.

Jennifer resolveu vingar-se. Com a cumplicidade do namorado, engendrou um plano para simular um assalto à casa dos pais e contratou três homens para os matar. O crime ocorreu em outubro de 2010. A mãe de Jannifer morreu e o pai ficou gravemente ferido.

O plano foi descoberto e Jennifer e três dos cúmplices julgados e condenados.O julgamento terminou em janeiro deste ano, com a jovem, agora com 28 anos, condenada a prisão perpétua.  Um outro elemento ainda aguarda sentar-se no banco dos réus. 

O juiz que a condenou mostrou-se chocado com a malvadez do plano. Sublinhou que o pai só sobreviveu por sorte e classificou o crime de “extremamente violento”. “ Cada um dos criminosos sabiam que estavam envolvidos num plano criminoso”, ressalvou o juiz, aquando da leitura da sentença.

O pai de Jennifer sobreviveu, mas nunca mais conseguiu trabalhar, nem foi capaz de voltar à casa onde ocorreu o crime.

“Quando perdi a minha mulher, perdi a minha filha ao mesmo tempo. No dia em que ela morreu, sinto que morri também.”


Hann Pan diz ter esperança que a filha reflita sobre o crime que cometeu e a vida de mentira que levou durante anos e se torne numa mulher “boa e honesta”.