O presidente da Comissão Europeia previu um “acordo de princípio” na cimeira de chefes de Estado e do Governo da União Europeia (UE), que decorrerá entre quinta e sexta-feira, em Bruxelas, sobre o reforço do controlo das fronteiras externas.

Numa curta conferência de imprensa antes da última cimeira europeia de 2015, Jean-Claude Juncker previu que os 28 cheguem a um “acordo de princípio” porque “há preocupações com os detalhes” sobre a gestão das fronteiras.

A Comissão Europeia apresentou, nomeadamente, a criação de uma guarda europeia costeira e fronteiriça que pode atuar num Estado-membro sem o seu aval e a obrigatoriedade de controlo de cidadãos da UE e de países terceiros.

Juncker lembrou a “insatisfação de Estados-membros vizinhos dos que reintroduziram controlos internos”, exemplificando com os seus compatriotas luxemburgueses que passaram a demorar “três a quatro horas” para se deslocarem para o trabalho em França.

O líder do executivo comunitário deixou a defesa do prolongamento, por mais seis meses, das sanções à Rússia, na sequência da anexação de territórios na Ucrânia.

Na agenda estará ainda, lembrou Juncker, a discussão do denominado relatório dos cinco presidentes sobre a União Económica e Monetária e o referendo do Reino Unido sobre continuar, ou não, no espaço comunitário.

“Vamos ter um debate franco e aberto pela primeira vez”, considerou o responsável sobre o chamado ‘Brexit’, apelando a um “diálogo com espírito aberto”.

“Não quero ver sair os britânicos, não quero culpar os britânicos. Eles têm as suas razões, nós temos as nossas e vamos conseguir uma saída desta situação complicada”, resumiu.

Questionado sobre uma reunião hoje de alguns países com a Turquia sobre migrações, Juncker garantiu não ver o encontro como “divisão”, mas como um sinal para aceitar a recomendação de Bruxelas para os países acolherem voluntariamente refugiados que estão na Turquia.

Por seu lado, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, argumentou a necessidade de “se conseguirem sucessos e soluções” nesta reunião, nomeadamente em termos de política de migração.

“O Conselho Europeu tem que perceber que só pode fazer progressos, se conseguirmos soluções comuns”, defendeu o responsável da assembleia de eurodeputados, que declarou “não ser aceitável” os números atuais de recolocação de refugiados.

“A Comissão Europeia vai apresentar números, que não têm correspondência com os compromissos assumidos. O que não é aceitável”, resumiu o responsável, referindo-se à recolocação de 208 pessoas de um total acordado de 160 mil pelos 28 Estados-membros por dois anos.