O repórter do Washington Post, Jason Rezaian, que se encontra detido no Irão há mais de um ano, foi condenado num julgamento que acabou há dois meses, confirmou um porta-voz do tribunal iraniano, Gholam Hossein Mohseni Ejehi, em declarações à televisão estatal. O jornalista é acusado de quatro crimes, sendo o de espionagem o mais grave, mas não se sabe ainda  qual a pena dada a Rezaian.
 

“Foi condenado, mas não sei detalhes”.


Esta segunda-feira, o jornal americano considerou a condenação do repórter de 39 anos, com nacionalidade iraniana e americana, "uma injustiça ultrajante" . Desconhecendo se o repórter foi condenado ou não por todos os crimes de que é acusado - crimes que tanto Rezaian e a publicação "negam convictamente" -, o Washinton Post revela que o  juiz que deliberou a sua sentença é conhecido por aplicar sentenças árduas e por isso, o jornalista deverá enfrentar uma pena de 10 a 20 anos de prisão.

Por sua vez, o Departamento de Estado dos EUA revelou que ainda não foi feita nenhuma confirmação oficial do veredito, apesar da confirmação por parte do porta-voz.

“Infelizmente, não surpreende tendo em conta que este processo tem sido opaco e incompreensível desde o início. Independentemente de ter ou não havido uma condenação, continuamos a apelar ao governo do Irão para retirarem as acusações contra Jason e que o libertem de imediato.


A 22 de julho de 2014, Rezaian foi detido juntamente com a sua mulher, jornalista do The National nos Emirados Árabes, e dois fotojornalistas. À excepção de Rezaian, todos foram já libertados.
  
Durante os meses de detenção, Rezaian foi sendo apoiado por vários grupos de defesa dos direitos dos jornalistas e de liberdade de imprensa. O próprio presidente dos Estados Unidos fez pressão sobre Teerão, comentando que as acusações sobre o seu também cidadão eram “vagas”. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano admitiu que os Estados Unidos “poder-se-ão ter aproveitado” de Jason Rezaian.