Antes de ser ouvido à porta fechada na comissão do Senado norte-americano que procura apurar se houve apoios russos à campanha eleitoral do presidente Donald Trump, o seu genro e seu conselheiro tornou público o depoimento escrito, no qual afiança que "não conspirou" com nenhum governo estrangeiro.

Não conspirei, nem sei de ninguém na campanha que tenha conspirado com qualquer governo estrangeiro", frisa Kushner na declaração.

O genro do presidente assume, contudo, que teve "talvez quatro contatos com representantes russos" durante a campanha eleitoral do ano passado e o período de transição até à posse de Trump.

Não tive contatos impróprios. Nunca dependi de fundos russos para financiar os meus negócios no sector privado", acrescenta Kushner no depoimento.

Perda de tempo

Entre os contatos com russos, no depoimento de onze páginas divulgado pela agência noticiosa Associated Press, Jared Kushner considera "uma perda de tempo" a reunião com uma advogada russa, na qual esteve com o filho de Donald Trump.

O encontro, conhecido após a divulgação de e-mails, ocorreu na Trump Tower. O filho de Donald Trump esperaria obter informações comprometedoras sobre a democrata Hillary Clinton, que concorria na reta final das eleições contra o atual presidente norte-americano.

O genro de Trump confessa no depoimento que foi convidado para o encontro. Chegou tarde e ouviu a advogada e o cunhado a falarem de adopções. Depois, enviou uma mensagem escrita à sua secretária para o contatar, de forma a sair da reunião.

Culpa da secretária

No depoimento, em que jura nunca ter sugerido a criação de qualquer canal de comunicação secreto com o poder russo, Kushner culpa a sua secretária pelos erros no preenchimento de um questionário de segurança, no qual negava contatos com elementos de governos estrangeiros.

Segundo o genro de Donald Trump, o questionário terá sido enviado, quando estava ainda a ser preenchido. Sem mencionar mais de cem contatos com pessoas de mais de 20 países e não apenas da Rússia.