O presidente norte-americano classificou oficialmente a Coreia do Norte como um estado "patrocinador de terrorismo", numa decisão apoiada pelo Japão.

Donald Trump afirmou que esta medida faz parte da “campanha de máxima pressão” de Washington sobre o regime de Pyongyang. De acordo com a AP, esta medida permite aos Estados Unidos alargar o pacote de sanções contra a Coreia do Norte.

No entanto, fontes oficiais norte-americanas, citadas pela mesma agência, dizem duvidar que o país de Kim Jong-Un cumpra os requisitos para ser reintegrado na lista, da qual foi removido em 2008 numa tentativa de Washington de alcançar um acordo para travar o programa nuclear do regime, visto que é preciso provar que o país "apoiou repetidamente actos de terrorismo".

Hoje, os EUA designam a Coreia do Norte como estado patrocinador de terrorismo. Já deveria ter acontecido há muito tempo. Além de ameaçar o mundo com a devastação nuclear, a Coreia do Norte apoiou de forma repetida atos de terrorismo internacional, incluindo assassínios em territórios estrangeiro”, disse Trump.

Em fevereiro, a Coreia do Sul pediu aos Estados Unidos que voltassem a incluir Pyongyang na 'lista negra' devido ao assassínio, ocorrido na Malásia, de Kim Jong-nam, irmão mais velho do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un.

O presidente-norte americano disse ainda que o Departamento do Tesouro vai anunciar esta terça-feira "o mais elevado nível de sanções" contra Pyongyang.

Anúncio apoiado pelo Japão e Austrália

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, afirmou esta terça-feira que o seu Governo apoia a decisão dos Estados Unidos de voltar a inscrever a Coreia do Norte na sua 'lista negra' de países “patrocinadores do terrorismo”.

Celebro e apoio [a decisão] porque eleva a pressão sobre a Coreia do Norte”, afirmou Abe, em declarações aos jornalistas, à sua chegada a Kantei, a residência do chefe de Governo japonês, horas depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado a medida.

A reinscrição de Pyongyang na 'lista negra' de Estados que apoiam o terrorismo vai ser acompanhada por novas sanções unilaterais por parte de Washington com o objetivo de continuar a pressionar Pyongyang a pôr termo ao programa nuclear.

A Austrália também já saudou o anúncio de Washington.

Acolhemos fortemente a decisão que reflete a determinação da comunidade internacional para que a Coreia do Norte volte a ser sensata”, disse o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, sublinhando que Pyongyang “ameaça a estabilidade” da região com as suas armas nucleares.

Regresso à lista negra

A concretizar-se este anúncio de Trump, o regime norte-coreano junta-se a uma lista que já inclui outros inimigos dos Estados Unidos: o Irão, a Síria e o Sudão, ainda que, recentemente, este país tenha vindo a regressar às boas graças de Washington.

Pyongyang já esteve nesta 'lista negra', de 1988 a 2008, devido ao alegado envolvimento num atentado à bomba contra um avião comercial sul-coreano em 1987, que fez 115 mortos.

A administração do então Presidente George W. Bush retirou a Coreia do Norte da lista para facilitar negociações sobre o programa nuclear norte-coreano, que acabaram por fracassar.

O Presidente norte-americano já tinha prometido tomar esta decisão durante a recente visita pela Ásia, que o levou ao Japão, Coreia do Sul e China, entre outros países, a qual visou precisamente intensificar os esforços para isolar a Coreia do Norte.

Segundo o Presidente dos Estados Unidos, esta decisão abre caminho a “novas sanções” contra “a Coreia do Norte ou contra pessoas ligadas” ao regime de Pyongyang.