Investigadores britânicos podem ter desvendado um dos casos de polícia mais mediáticos e misteriosos de sempre: a identidade de "Jack, o Estripador". O caso, que remonta ao século XIX, conta com uma longa lista de suspeitos, mas pode estar perto de ser resolvido. 

A chave estará num diário da época, que foi encontrado há 25 anos. Trata-se de um livro com cerca de 9.000 palavras, que relata as memórias de um comerciante de algodão, de Liverpool, chamado James Maybrick.

Neste diário, Maybrick confessa ter assassinado cinco mulheres na zona de Whitechapel, em Londres, e uma prostituta em Manchester.

Na última página, o autor deixou uma mensagem assinada com o nome "Jack, o Estripador”.

Deixo o nome pelo qual todos me conhecem para que a história conte o que o amor pode fazer a um cavalheiro. Sinceramente, Jack, o Estripador”, lê-se no diário.

O diário foi descoberto em 1992, mas os especialistas depressa questionaram a sua autenticidade.

Foi apresentado por um vendedor de antiguidades chamado Mike Barrett, que dizia que o tinha obtido através de um amigo de família chamado Tony Devereux. Acontece que Devereux morreu pouco tempo depois de o diário ter sido conhecido e a verdadeira origem da obra nunca foi explicada.

Desde então, o grupo de investigadores que estuda os homicídios, liderado por Bruce Robinson, tem analisado o diário a fundo. Agora, conseguiram provas convincentes que confirmam a autenticidade do diário.

Estas provas são apresentadas num novo livro sobre a história do assassino em série, escrito por Robert Smith e chamado “25 anos do Diário de 'Jack, o Estripador': os factos verdadeiros”.

“Quando o diário apareceu Mike Barrett recusou dar uma explicação satisfatória sobre a sua origem, mas depois de uma meticulosa investigação liderada por Bruce Robinson podemos mostrar provas que nos guiam diretamente à casa de Maybrick”, escreve Robert Smith. 

Segundo Robert Smith, o diário foi encontrado por três trabalhadores de uma empresa chamada Portus & Rhodes Ltd. quando faziam obras numa mansão situada nos subúrbios de Liverpool. Uma casa onde James Maybrick tinha vivido.

Os operários contactaram então Mike Barrett, que na altura era muito conhecido na região. Este, por sua vez, dirigiu-se à agente literária Doreen Montgmorey.

Mas os agentes literários e especialistas da época questionaram a autenticidade do diário e colocaram a hipótese de a obra ser uma falsificação. Uma teoria que ganhou força quando o próprio Barrett disse, em 1995, que tinha sido ele a escrever tudo. Ainda que, depois, tenha voltado atrás na palavra, já ninguém acreditava na versão do vendedor de antiguidades. 

Em “25 anos do Diário de 'Jack, o Estripador': os factos verdadeiros”, Robert Smith nota que Barrett não poderia fazer uma falsificação tão sofisticada. Para o autor, o livro tem detalhes que só poderiam ter sido descritos pelo próprio assassino.

Por isso, acredita que o diário é autêntico e que foi escrito entre 1888 e 1889, pouco tempo antes da morte de James Maybrick.

Smith explica ainda que o vendedor de antiguidades terá mentido sobre a origem do diário por ter medo de ser processado.