O sangue de James Harrison conseguiu salvar mais de dois milhões de bebés. De acordo com a Cruz Vermelha Australiana, o sangue deste australiano contém anticorpos, Anti-D, capazes de prevenir doenças hemolíticas. 

James Harrison tinha 14 anos quando teve que ser operado e também ele precisou de uma doação de sangue para sobreviver. Depois de recuperação e assim que se tornou adulto, Harrison sentiu-se na obrigação de retribuir. Mas havia um problema: medo das agulhas. Contudo, o australiano superou esta adversidade e começou a doar sangue regularmente por todo o país. 

Na sexta-feira, James deslocou-se ao Centro de Doação de Sangue de Sydney para aquela que foi a sua última doação. Os médicos da Cruz Vermelha disseram que aos 81 anos já não é seguro para a saúde do próprio continuar a doar sangue.

O vídeo mostra o último episódio de doação de sangue de James - conhecido para alguns como o homem de braço de ouro. Os balões com os números 1, 1, 7, 3 referem-se ao número de vezes que Harrison doou sangue.

Isto é o fim de uma era. É triste porque eu sinto que podia continuar", disse James, citado pelo The New York Times. 

Durante os anos, os médicos perceberam que o sangue de Harrison contém uma proteína específica e rara. Segundo os médicos da Cruz Vermelha, o anticorpo foi essencial para iniciar uma investigação no combate às doenças que afetam os fetos e recém-nascidos. Os investigadores disseram ainda que têm usado doses de Anti-D em mães desde 1967, tornando Harrison o primeiro doador do programa Anti-D.

Estima-se que 17% das mulheres australianas que ficaram grávidas precisaram de injeções de Anti-D para manter os bebés saudáveis, que estão dependentes desta doação do anticorpo de 160 doadores. 

Sem as injeções, os bebés teriam certamente diferentes tipos de sangue das mães o que poderiam desenvolver doenças hemolíticas. 

O organismo produz naturalmente o anticorpo que previne a doença hemolítica. Harrison disse que não tem a certeza do porquê, mas acredita que poderá ter a ver com o sangue que recebeu quando era adolescente.

A Cruz Vermelha e a Austrália nunca vão conseguir agradecer suficientemente ao James. É muito improvável voltarmos a ter um dador de sangue que assumiu este compromisso como ele.", disse a porta-voz da Cruz Vermelha, Jemma Falkenmire.

Até a própria filha, Tracey Mellowship, foi uma das que beneficiou do sangue.

Obrigada pai por me dares a oportunidade de ter duas crianças saudáveis - os teus netos", lê-se no comentário de Tracey no Facebook numa publicação sobre o pai.

 

Culpem-me por aumentar a população. Salvar um bebé é bom. Salvar dois milhões é difícil ter os pés assentes no chão, mas se eles dizem que é isto, eu fico feliz por o ter conseguido", disse James Harrison.