O ex-diretor da polícia federal norte-americana (FBI) James Comey confirmou numa declaração escrita enviada ao Congresso que Donald Trump pediu-lhe para abandonar a investigação sobre Michael Flynn, ex-conselheiro envolvido no caso da alegada ingerência russa nas presidenciais. A declaração de Comey foi divulgada esta quarta-feira.

Esta informação foi divulgada na véspera da audição muito aguardada de James Comey no Comité dos Serviços de Inteligência do Senado (câmara alta do Congresso norte-americano).

Relatando um encontro realizado a 14 de fevereiro na Sala Oval (gabinete presidencial), Comey escreve que o presidente, Donald Trump, falou com ele sobre a investigação relacionada com o ex-conselheiro de segurança nacional Michael Flynn, acusado de mentir sobre contactos com responsáveis russos, e declarou: “Espero que possa encontrar uma forma de abandonar isto, de deixar Flynn. É um bom homem”.

Donald Trump demitiu o diretor do FBI no início de maio. O líder norte-americano foi acusado pelos democratas, na altura, de o ter feito para abafar a investigação ao alegado conluio entre a campanha do presidente e a Rússia, que terá influenciado as últimas eleições. Trump negou a acusação e justificou a demissão de Comey com a gestão da investigação aos emails de Hillary Clinton.

James Comey tinha sido nomeado por Obama para o cargo de diretor, em 2012.

O presidente norte-americano já escolheu o sucessor de Comey: o novo diretor do FBI é Christopher Wray, de 50 anos, advogado que já trabalhou para o departamento de Justiça norte-americano como assessor do Procurador-geral, durante o mandato de George W. Bush, entre 2003 e 2005.