Corrupção, lavagem de dinheiro, extorsão são os crimes pelos quais Jacob Zuma vai agora ter de responder, com base num processo de 2009, que ficou suspenso desde que foi empossado presidente sul-africano.

Zuma manteve o cargo de presidente até ao mês passado, quando foi substituído, contra sua vontade, por Cyril Ramaphosa, eleito pouco antes como líder do ANC, o Congresso Nacional Africano, maioritário na África do Sul desde as primeiras eleições multiraciais em 1994.

Jacob Zuma, de 75 anos, enfrenta agora, pelo menos, 16 acusações devido a suspeitas de ter recebido 783 pagamentos mal explicados, com eventual relação a um negócio de armamento no valor global de dois mil milhões de euros.

O caso remonta a 2009, quando Zuma, por força do ANC, se tornou presidente da África do Sul, substituindo Thabo Mbeki.

Então, as acusações ficaram suspensas. Mas já enquanto presidente da África do Sul, Zuma foi acusado por um tribunal superior de ter gasto 12 milhões de euros de dinheiros públicos, nas obras de uma sua vivenda. Devolveu o dinheiro e o caso ficou-se por aí.

"Expetativas razoáveis"

Agora, o procurador-geral da justiça sul-africana Shaun Abrahams acredita haver "expetativas razoáveis de uma acusação bem sucedida", que pode, em última instância, levar Zuma a ser condenado.

Nas últimas horas, apesar de ter sido substituído na liderança do ANC e do país por Cyril Ramaphosa, o seu partido veio a terreiro lembrar que Jacob Zuma é inocente até prova em contrário.

Apelamos aos sul-africanos em geral, para darem oportunidade à Procuradoria para realizar o seu trabalho sem obstáculos. Continuamos a afirmar o direito inalienável de todos no nosso país, incluindo o camarada Jacob Zuma, de ser presumido inocente até que se prove a culpa", afirmou o porta-voz do ANC, Pule Mabe, citado pelo jornal Sowetan, uma dos de maior tiragem e circulação na África do Sul.

Sexo e HIV

O processo agora recuperado contra Zuma poderá levar o ex-presidente sul-africano a tribunal, o que já aconteceu em 2005, quando foi acusado de violar uma mulher, portadora do vírus HIV.

Zuma acabou por cair no ridículo ao afirmar publicamente que não tinha receio de contrair o vírus da SIDA, porque tomava sempre um duche após cada acto sexual.

Em 2006, o tribunal julgou o caso, mas acabou por absolver Jaco Zuma da acusação de violação, considerando que tinha havido consentimento nessa relação sexual.