Notícia atualizada às 14:04

Os seis imigrantes que morreram esta manhã ao tentar alcançar a costa da Sicília tinham todos menos de 30 anos e viajavam num pequeno barco com mais 92 pessoas, a maioria sírios e egípcios, diz a imprensa local.

A tragédia ocorreu a cerca de 15 metros da praia da cidade de Catânia, no leste da ilha italiana da Sicília, quando os imigrantes tentaram alcançar a praia após o barco encalhar na areia.

O aviso foi dado pelo proprietário de um estabelecimento balnear. Agentes da Guarda Costeira, da Polícia e dos Carabineiros dirigiram-se então ao local, onde encontraram dois corpos e tiveram de resgatar mais quatro do mar.

Todos os seis mortos eram homens com menos de 30 anos e um deles teria entre 13 e 16 anos.

Embora inicialmente se dissesse que a bordo do barco seguiam 120 pessoas, o número foi entretanto corrigido para 98.

Segundo a primeira reconstrução dos factos, o pesqueiro encalhou num banco de areia e os ocupantes acreditaram terem chegado à costa, lançando-se então ao mar pensando que poderiam alcançar a praia a pé.

No entanto, foram apanhados numa zona de águas profundas onde os seis acabaram por se afogar.

Alguns dos sobreviventes, entre os quais uma criança com sinais de desidratação e uma grávida, foram levados para um hospital próximo e contaram às autoridades que provinham maioritariamente da Síria e do Egito, países que vivem atualmente situações de conflito, o que poderia facilitar-lhes a autorização de entrada em Itália.

Os ocupantes que sobreviveram à travessia explicam que a viagem demorou uma semana, ao longo da qual se esgotou a comida.

Catânia é uma zona pouco habitual para o desembarque de imigrantes, pelo que os responsáveis do barco, em que viajavam 17 menores, terão conseguido passar despercebidos para as autoridades italianas, que têm reforçado a fiscalização dos mares face ao aumento da imigração ilegal.

O procurador de Catânia, Giovanni Salvi, abriu hoje uma investigação sob a hipótese de delito de cumplicidade com a imigração ilegal e homicídio involuntário múltiplo.

Estas mortes ocorrem depois de, no último mês, imigrantes que conseguiram chegar ao sul de Itália, sobretudo à Sicília e à ilha de Lampedusa, terem relatado a morte de 36 pessoas durante várias travessias.

Devido ao mar calmo que se tem feito sentir no Mediterrâneo, as chegadas de imigrantes às costas sul da Europa têm-se intensificado nos últimos dias.