O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, defendeu esta segunda-feira a modernização imediata da legislação migratória europeia com a criação de um «sistema de imigração legal», na sequência das recentes tragédias em Lampedusa (Itália) e Malta.

Numa entrevista divulgada hoje na edição digital da revista alemã «Der Spiegel», Schulz afirma que a União Europeia precisa «urgentemente» de uma reforma da sua política migratória que estabeleça um «sistema de imigração legal» comparável ao dos Estados Unidos.

«A Europa tem de reconhecer finalmente que é um continente com imigração. Por isso precisamos de um sistema de imigração legal. Todas as grandes regiões do mundo, como os Estados Unidos, a Austrália ou o Canadá, têm leis modernas de regulação da imigração legal», disse.

Também o primeiro-ministro líbio, Ali Zeidan, disse hoje ao jornal italiano «La Republica» que pediu à Europa ajuda no controlo de fronteiras da Líbia para estancar os fluxos migratórios que cruzam o Mediterrâneo.

«Ao primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, e aos restantes líderes europeus digo-lhes que a Líbia deve receber ajuda para gerir este problema. O nosso país encontra-se numa situação atípica e o controlo dos problemas é impossível», disse Ali Zeidan.

O primeiro-ministro líbio sublinhou que a Líbia, país que é utilizado por milhares de emigrantes que querem entrar na Europa, não pode controlar nesta altura o «enorme» fluxo migratório.

Entrevistas que tocam numa ferida aberta. Ainda hoje uma nova embarcação chegou ao porto italiano de Lampedusa com 137 imigrantes a bordo, incluindo 22 mulheres, revelou a imprensa italiana.

O barco de 12 metros entrou no porto da pequena ilha, a mais próxima ilha europeia a partir de países como a Líbia ou a Tunísia, cerca das 04:00 (hora de Lisboa), sem ter sido identificado.

Os refugiados, todos da África subsaariana, foram transferidos para o centro de acolhimento, já superlotados, onde se encontram também alguns dos sobreviventes dos naufrágios de 03 de outubro e de sexta-feira, como noticia a Lusa.