Milhares de jovens, desempregados, mães e lojistas saíram às ruas de Nápoles, esta quinta-feira, para protestar contra o Banco Central Europeu. Os manifestantes apontam as políticas adotadas pelo BCE com responsáveis pela precariedade, pobreza, desemprego e especulação vividas em Itália.

O grupo organizado «Block BCE» clama por justiça e pede que Itália se afaste das ordens do Banco. Alguns jornais italianos apontam para mais de quatro mil pessoas presentes no protesto. Estas reuniram-se numa das zonas periféricas da cidade e marcharam até ao centro, enquanto se faziam ouvir palavras de ordem «Basta BCE!», «Hostilidade para a austeridade, ladroes, assassinos…», «Precariedade, pobreza, desemprego, especulação, libertem-nos do BCE!».

Os lojistas fecharam os estabelecimentos e juntaram-se aos protestos.


O «Il Fatto Quotidiano» cita um dos manifestantes que terá explicado o objetivo da manifestação. «O BCE comporta-se como um vampiro: estrangulou os países do sul da Europa, mas sedento por continuar a sugar-nos o sangue».

«Tem sido feito um terrorismo mediático e não têm que ter medo de nós, mas de Draghi (presidente do BCE) e de quem está na reunião», disse Alfonso De Vita, um dos líderes do movimento, citado pelo «Il Fatto Quotidiano».

A autarquia local já mobilizou cerca de dois mil agentes policiais para conter os manifestantes e os confrontos já começaram. Algumas pessoas arremessaram pedras e petardos aos agentes que responderam com gás lacrimogénio.





«Dissemos que esta era uma manifestação pacífica para milhares de pessoas mas a polícia veio para cima de nós à força para nos obrigar a desmobilizar. Este terrorismo mediático é alimentado, em parte, pelo espetáculo da polícia», disse um dos organizadores.

Hoje está a decorrer uma reunião de membros do BCE. Em cima da mesa, está o problema da inflação na Zona Euro e um eventual programa de compra de dívida pública pelo Banco.


Itália enfrenta uma das maiores crises económicas e financeiras da sua história recente. O desemprego tem vindo a aumentar, o poder de compra dos italianos tem diminuído, o governo tem tido várias dificuldades para honrar os compromissos e a austeridade sobre os cidadãos tem subido a cada ano.