O número de vítimas da queda do viaduto na cidade italiana de Génova subiu para 43, depois de os bombeiros encontrarem entre os blocos de cimento um veículo com três pessoas, um casal e a filha de nove anos, e também devido à morte de um dos feridos que se encontrava hospitalizado.

Os três corpos foram identificados e confirma-se que se trata da família Cecala, da qual não havia notícias desde a passada terça-feira, quando um troço de cerca de 100 metros da ponte Morandi ruiu.

Estas três vítimas, de origem jamaicana, elevam para 43 o número de vítimas mortais identificadas até ao momento, entre as quais se encontram mais três crianças, permanecendo ainda dois desaparecidos, segundo os dados da Proteção Civil. Entre as vítimas mortais há, ainda, três cidadãos franceses, dois albaneses, três chilenos, um peruano, um colombiano e um romeno.

Quanto aos feridos, nove permanecem hospitalizados, segundo o boletim deste domingo da prefeitura de Génova.

O carro da família Cecala foi encontrado completamente esmagado por um enorme bloco de cimento que formava parte do pilar que desabou, na margem esquerda do rio Polcevera.

No local do acidente, as equipas de resgate continuam à procura de vítimas nos escombros.

Na quinta-feira, o procurador da cidade italiana de Génova, Francesco Cozzi, admitiu que poderão existir 10 a 20 pessoas ainda soterradas nos escombros.

O Governo de Itália já admitiu que será “inevitável” que o número de mortos aumente à medida que os trabalhos de resgate prosseguem no terreno.

O executivo italiano exigiu a demissão da direção da empresa Autostrade per l’Italia, filial da Atlantia e responsável pela gestão da ponte Morandi, bem como atribuiu parte da responsabilidade da tragédia às restrições orçamentais impostas pela União Europeia (UE).

Cerca de cinco mil na despedida de 19 vítimas

Cerca de cinco mil pessoas despediram-se de 19 vítimas da queda de um viaduto em Génova, Itália, numa cerimónia com honras de Estado.

Itália cumpre este sábado um dia de luto nacional e foi celebrado um funeral de Estado por todas as vítimas, presidido pelo cardeal e arcebispo de Génova, Ángelo Bagasco, e com a presença do Presidente da República, Sergio Mattarella, e do primeiro ministro, Giuseppe Conte.

Um funeral envolto em polémica, já que parte das famílias das vítimas decidiram não participar nas exéquias públicas e preferiram uma cerimónia privada. O funeral realizou-se num dos pavilhões da feira da cidade.

Os jogadores, dirigentes e equipas técnicas dos dois clubes do primeiro escalão do futebol italiano da cidade compareceram nas cerimónias fúnebres, de acordo com a agência ANSA.

Os jogos da primeira jornada da Serie A de Génova, que conta com os portugueses Iuri Medeiros e Pedro Pereira, e Sampdoria, inicialmente previstos para domingo, foram adiados. Assim, a Sampdoria recebe a Fiorentina em 19 de setembro e o Génova visita o AC Milan em 31 de outubro.

Paralelamente, realizou-se o funeral de outras 19 vítimas que optaram por uma cerimónia privada.

Gestora da ponte disponibiliza 500 ME para famílias e reconstrução

Os responsáveis da Autostrade per l'Italia, entidade gestora da ponte que caiu em Génova, anunciaram hoje que já estão disponíveis 500 milhões de euros para ajudar as famílias e a cidade e reconstruir a infraestrutura.

São fundos que estarão disponíveis a partir de segunda-feira", declarou em conferência de imprensa o administrador-delegado da sociedade que foi apontada como culpada da queda da ponte pelo Governo, Giovanni Castellucci.

A soma de 500 milhões de euros abrange um fundo de "milhões de euros" para os familiares das vítimas mortais, e "dezenas de milhões de euros" geridos pela autarquia da cidade portuária para realojar os habitantes de casas que estavam por baixo da ponte Morandi, que caiu na terça-feira, e ficaram afetadas pelos escombros.

Temos um projeto que permite, em oito meses, entre demolição e reconstrução, ter uma nova ponte", garantiu o responsável, especificando que aquele prazo se inicia a partir da autorização da proposta pelas autoridades.

A empresa também vai obter "em tempo recorde" uma alternativa para os veículos pesados, perto do porto marítimo e, para facilitar a mobilidade na cidade, as autoestradas na zona de Génova deixam de ser pagas a partir de segunda-feira.

Giovanni Castellucci e Fabio Cerchiai, presidente da empresa que gere cerca de metade dos seis mil quilómetros de autoestrada do país, escusaram-se a falar acerca dos seus relatórios para o Governo, que iniciou na sexta-feira um procedimento para revogar a concessão do troço da ponte.

Era uma ponte muito particular, mas considerada segura por todos aqueles que a examinaram. Alguma coisa se passou e cabe à justiça dizer o quê", explicou Giovanni Castellucci.

Não avançou possíveis causas para a queda da ponte Morandi, explicando que a empresa não teve acesso ao local e que a forte chuva que caía no momento do acidente escondeu as imagens da câmara de vigilância.

Sabemos que devemos e podemos dar e fazer muito por Génova, e estamos determinados a fazê-lo com humildade, consistência e sentido de responsabilidade", insistiu o responsável, depois de ter iniciado a conferência de imprensa apresentando condolências de toda a empresa aos familiares das vítimas e à cidade.

Os dois dirigentes, a quem os líderes do Governo apelaram para se demitirem rapidamente, salientaram que, para já, vão manter-se nas suas funções.