foi preso no Texas

Ahmed Mohamed, um adolescente muçulmano que vive em Dallas, queria ser cientista e passou grande parte da juventude a criar invenções. Mas nada podia fazer prever que um delas causasse a sua detenção.

O rapaz  construiu um relógio em casa, conjugando uma placa de circuito impresso e uma bateria ligados digitalmente a um dispositivo inserido numa caixa, que levou para a escola para mostrar ao professor de engenharia. O homem felicitou-o pela criação, mas avisou-o para não a mostrar a ninguém, pois podia trazer-lhe problemas.

Contudo, o jovem cometeu o erro de mostrá-la à professora de inglês.

“Ela disse que parecia uma bomba e chamou a polícia”, contou o Ahmed.

O rapaz foi então levado para a esquadra, onde foi submetido a um interrogatório. “Eles levaram-me sem os meus pais. Fizeram-me sentir como um criminoso”.

“Perdi a minha inocência. Nunca mais vou conseguir olhar para o mundo da mesma maneira”, afirmou Ahmed, que acredita que a sua detenção tenha sido um ato racista. “Eu gosto de ciência, mas eu sou uma ameaça por causa da minha pele castanha”.

O pai de Ahmed, Mohamed Elhassan Mohamed, disse que o filho foi preso por causa do seu nome, religião e cor da pele.

“O meu filho está muito transtornado e muito chocado. Ele quer ser como o Einstein. Tem tantas ideias. Ele não tem maldade dentro dele…”

O caso, que está a gerar uma onda de apoio ao rapaz já mereceu a atenção do presidente norte-americano, Barack Obama. O presidente usou o Twitter para convidar Ahmed a visitá-lo, na Casa Branca.

"Devemos inspirar mais crianças como tu a interessarem-se por ciência", escreveu o presidente na publicação.

Hillary Clinton deixou também uma mensagem de apoio a Ahmed, encorajando-o a continuar "curioso e a contruir".

 

Contudo, uma porta-voz da escola, Lesley Weaver, já veio a público defender a posição da escola, e disse que “vai sempre tomar as precauções necessárias para proteger os estudantes e para manter a comunidade escolar o mais segura possível”.

Mas não são só os membros do governo a apoiar Ahmed. Milhares de utilizadores da Internet mostraram-se solidários para com o rapaz, criando a hashtag #IstandWithAhmed. No Twitter e no Facebook, muitas pessoas têm expressado indignação, afirmando que se trata de um claro caso de racismo.