Um alto responsável norte-americano anunciou hoje que os EUA não participarão na Conferência Mundial Contra o Racismo da ONU em Abril, se não forem retiradas da declaração conjunta todas as referências a Israel e de difamação da religião.

A administração de Barack Obama enviou na semana passada dois representantes a Genebra, Suiça, para participarem nas negociações preparatórias da declaração conjunta da Conferência Mundial Contra o Racismo "Durban II", que vai decorrer naquela cidade suíça em Abril.

As «reticências»

Apesar das «reticências» que os Estados Unidos da América (EUA) colocam à iniciativa por representar uma oportunidade dos países árabes criticarem Israel, os representantes norte-americanos participaram activamente na preparação do documento, fazendo numerosas propostas de emenda.

No entanto, o alto responsável norte-americano que pediu o anonimato adiantou que as negociações, que começaram por ser positivas, pioraram.

Durante a administração de George W. Bush, os EUA e Israel abandonaram a primeira conferência sobre racismo, realizada em Durban, na África do Sul, em 2001, após a tentativa de aprovar uma resolução que comparava o sionismo ao racismo.

Mudar a direcção

Segundo um comunicado emitido pelo Departamento de Estado norte-americano no início das negociações do documento, a intenção da participação dos EUA é de «trabalhar para tentar mudar a direcção na qual a conferência está a caminhar».

A decisão de participar ou não nas reuniões de preparação e na própria Conferência «será tomada unilateralmente em função dos resultados do processo de negociação», lia-se no comunicado do Departamento de Estado norte-americano.

Outros países, incluindo Israel e o Canadá, já decidiram boicotar o encontro.