Israel ocupa militarmente a Cisjordânia há mais de 50 anos e desde 2010 que a correspondência dirigida aos palestinianos é bloqueada na fronteira com a Jordânia. Agora, cerca de 10 mil toneladas de correio vão ser, por fim, entregues aos destinatários. 

Há oito anos que estas cerca de 10 mil toneladas de correio estavam retidas "por razões de segurança" que Israel nunca especificou.  As autoridades israelitas controlam todas as entradas e saídas da Cisjordânia e, por isso, podem impedir a passagem de qualquer tipo de mercadoria.

Entre a correspondência há cartas, embalagens, medicamentos, artigos pedidos na Internet e até cadeiras de rodas.

Esta terça-feira, Israel autorizou que o correio fosse enviado para a cidade palestiniana de Jericó a fim de ser entregue aos seus destinatários. 

Ramadan Ghazawi, responsável do Centro de Correios de Jericó, afirmou que a autorização desta entrega foi dada “por motivos administrativos”. 

Jericó não tem mãos a medir. Ghazawi explicou à agência AFP que vão ser precisas pelo menos "duas semanas" para classificar e entregar toda a correspondência. E que, mesmo assim, os seus funcionários vão ter der fazer horas extra.

De resto, como estiveram muito tempo retidas, algumas embalagens ficaram danificadas. Para evitar possíveis queixas por danos no correio, os funcionários de Jericó vão ter de colocar uma nota em toda a correspondência com um aviso de que o serviço de correios palestiniano não se responsabiliza por danos causados por Israel.

A entrega do correio aos palestinianos é uma medida que faz parte de um acordo entre o governo israelita e a Autoridade Nacional Palestiniana, conseguido há um ano.

O Ministro das Telecomunicações palestiniano, Alam Musa, responsabilizou as autoridades israelitas por terem atrasado deliberadamente a implementação do acordo.