Vários líderes políticos e outras personalidades lamentaram o falecimento do histórico ex-presidente de Israel e Nobel da Paz Shimon Peres, que morreu esta quarta-feira, 28 de setembro, aos 93 anos, no hospital, duas semanas depois de sofrer um acidente vascular cerebral. A morte foi anunciada pelo filho.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, expressou, em comunicado, "profundo luto pessoal" e lamentou a morte do ex-presidente, o “filho pródigo” de Israel, e convocou uma reunião especial do seu gabinete.

"O primeiro-ministro Bejamin Netanyahu e a sua mulher, Sara, expressam o seu profundo luto pessoal pela morte [de um homem] amado pela nação, o antigo presidente Shimon Peres".

No mesmo comunicado indica-se que Netanyahu tem previsto liderar uma reunião especial do seu gabinete de ministros, durante a qual pronunciará um discurso sobre o estadista.

Por sua vez, o presidente de Israel, Reuven Rivlin, conclui hoje e antes do previsto a sua visita oficial à Ucrânia, devido à morte do seu antecessor, informou o seu gabinete.

Rivlin expressou “a sua profunda tristeza pela morte do ex-Presidente de Israel e ex-primeiro-ministro Shimon Peres às primeiras horas do dia”, diz o comunicado, em que se assinala que ainda hoje regressa a Israel.

A uma curta distância de onde estou em visita na Ucrânia, na cidade de Vishnyeva, Bielorrússia, nasceu Szymon Perski, que cresceu como um jovem com grandes sonhos”, sublinhou o chefe de Estado israelita.

Já o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, homenageou o ex-presidente israelita como um “amigo” que nunca desistiu do sonho de alcançar a paz.

Existem poucas pessoas com as quais partilhamos este mundo que mudaram o curso da história humana (…). O meu amigo Shimon foi uma delas”, disse Barack Obama, citado num comunicado da Casa Branca.

Obama destacou ainda que o compromisso de Shimon Peres para com a segurança e procura pela paz de Israel estava “enraizado na sua inabalável força moral e persistente otimismo”.

O presidente dos EUA renovou o seu compromisso para que israelitas e palestinianos alcancem um acordo de paz como “tributo” ao seu “amigo” Shimon Peres.

Não imagino, esta noite, um melhor tributo à sua vida do que renovar o nosso compromisso com a paz que ele acreditava ser possível”, disse Obama, num comunicado em que lamentou a morte do estadista que representava, a seu ver, a “essência” do seu país.

Em 2012, Barack Obama concedeu a Shimon Peres a Medalha Presidencial da Liberdade, considerada a maior condecoração civil dos Estados Unidos.

Também o antigo presidente norte-americano Bill Clinton descreveu o ex-chefe de Estado israelita como “um génio de grande coração”.

Clinton, que supervisionou a assinatura dos acordos de Oslo entre israelitas e palestinianos, homenageou o “fervoroso defensor da paz, da reconciliação e de um futuro em que todas as crianças de Abraão construirão um amanhã melhor”.

Nunca vou esquecer o quão feliz ele estava há 23 anos quando assinou os acordos de Oslo na Casa Branca, anunciando uma era mais esperançosa para as relações israelo-palestinianas”, realçou Clinton, num comunicado.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, disse que a memória de Shimon Peres pode ser honrada com um "compromisso diário com a reconciliação" e trabalhando na sua "solução de dois Estados".

Só podemos honrar a sua memória através de compromisso diário com a reconciliação, preservando e continuando a sua visão de uma solução de dois Estados" para o conflito israelo-palestiniano, disse Mogherini, em comunicado.

A alta representante para a Política Externa da UE salientou ainda que Peres "nunca perdeu a esperança na paz e nunca deixou de trabalhar para que esta esperança se tornasse realidade".

Tal como Mogherini, também o presidente da Alemanha, Joachim Gauck, recordou a “forte vontade” do antigo chefe de Estado em “fazer avançar os processos de paz com os palestinianos”.

Gostaria de vos manifestar, assim como ao povo israelita (…), as minhas profundas condolências”, escreveu o Presidente alemão numa carta endereçada ao seu homólogo israelita, Reuven Rivlin.

 

Shimon Peres marcou Israel como nenhum outro político. Serviu o seu país em diferentes funções – com sólidos princípios como a segurança de Israel, e uma vontade forte de fazer avançar os processos de paz com os palestinianos”, sublinhou.

O presidente francês, François Hollande, disse que Shimon Peres foi um dos “mais fervorosos defensores da paz” e um “fiel amigo” da França.

Shimon Peres pertence agora à História, que foi a companheira da sua longa vida”, escreveu Hollande, num comunicado.

“Com o desaparecimento de Shimon Peres, Israel perde um dos seus mais ilustres estadistas, a paz [perde] um dos seus mais fervorosos defensores e a França um amigo fiel”, sublinhou Hollande, que se reuniu com o Nobel da Paz pela última vez a 25 de março.

No funeral de Shimon Peres são esperados vários líderes mundiais com destaque para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, além do seu secretário de Estado, John Kerry, a candidata presidencial democrata a Casa Branca, Hillary Clinton, o seu marido e ex-Presidente norte-americano, Bill Clinton, o papa Francisco, assim como líderes do Reino Unido, Canadá e de outros países da América do Sul, Ásia e África.