Manifestantes palestinianos confrontaram-se esta sexta-feira com tropas israelitas na cidade de Belém, sendo alvejados com balas de borracha e granadas de gás lacrimogénio. Vários movimentos islâmicos palestinianos apelaram a que hoje se cumprisse um "dia de ira".

Os protestos, que têm surgido em várias cidades da Cisjordânia, ocorreram após as orações da manhã, nesta sexta-feira.

De acordo com o jornal Jerusalem Post, os palestinianos - que protestam contra a decisão do presidente Donald Trump de mudar a embaixada norte-americana em Israel - manifestaram-se também frente à Porta de Damasco, que dá acesso à Cidade Velha, em Jerusalém.

Várias dezenas de palestinianos e cerca de cinquenta polícias israelitas envolveram-se numa breve mas intensa briga nas ruas da cidade velha, em Jerusalém Oriental, resultando em vidros partidos nas montras das lojas próximas, constatou um fotógrafo da agência France Presse.

Os polícias repeliram os manifestantes com bastões e cassetetes, fazendo com que estes fugissem para as ruas adjacentes.

Em Hebron, Belém, Jericó e perto de Nablus, as forças israelitas dispararam balas de borracha e lançaram gás lacrimogéneo contra jovens palestinianos que os atingiram com pedras, reportaram jornalistas da AFP e várias testemunhas. Os jovens traziam a cara coberta.

Em Hebron, centenas de manifestantes escondidos em vários pontos da cidade lançaram pedras contra os soldados.

Apesar dos protestos anunciados para esta sexta-feira, o dia semanal mais importante para os muçulmanos, as autoridades israelitas não aumentaram as restrições de acesso à mesquita de Al Aqsa, em Jerusalém.

Turquia aumenta segurança

A polícia turca aumentou, entretanto, as medidas de segurança às representações diplomáticas de Israel e dos Estados Unidos no país.

As representações diplomáticas de Israel e dos Estados Unidos da América (EUA) em Ancara e Istambul estão protegidas por barreiras metálicas e agentes e veículos antimotins estão situados próximo dos edifícios.

O colégio alemão de Ancara, perto da embaixada dos Estados Unidos, fechou antes da hora normal e mandou os alunos para casa antes de começarem os protestos.

A Rússia está contra a decisão de Donald Trump, dizendo que "não é lógica" e só vem complicar ainda mais o conflito.

O Presidente francês lançou, entretanto, um apelo "à tranquilidade e à responsabilidade de todos". Emmanuel Macron manifestou a sua esperança de que a iniciativa de Washington, que na sua opinião foi "infeliz" e deveria ser objeto de uma negociação entre as partes, "não venha a trazer instabilidade à região".