Centenas de pessoas protestaram este sábado «em defesa da identidade australiana» e contra o que consideram ser a islamização do país, em várias manifestações que acabaram em confrontos com ativistas antirracistas.

O coletivo «Recuperar Austrália» organizou concentrações numa dezena de cidades, onde os manifestantes ostentaram bandeiras australianas e mostraram cartazes onde podia ler-se: «Não ao Islão, não à sharia [lei islâmica], não ao halal [comida autorizada para muçulmanos]».

Os organizadores negaram que os protestos fossem contra os muçulmanos e insistiram que apenas contestam o extremismo islamita.
 

«Não estamos contra nenhuma raça ou religião em particular. Estamos contra os extremistas de uma religião em particular».


Os protestos suscitaram a realização de contramanifestações de ativistas antirracistas, que acusaram o movimento «Recuperar Austrália» de ser antimuçulmano.

«Isto é claramente um ataque aos muçulmanos e à comunidade muçulmana neste país. Tudo é sobre a comida halal, a lei islâmica, proibir a burca», disse uma das organizadoras de uma contramanifestação em Sidney.

Manifestantes dos dois grupos trocaram insultos e, em alguns casos, chegaram mesmo a confrontarem-se, o que obrigou à intervenção da polícia.

Em Sidney, cerca de 500 pessoas concentraram-se nas imediações da cafetaria onde em dezembro um homem, que se dizia inspirado pelo movimento autodenominado Estado Islâmico, se barricou, acabando por morrer, juntamente com dois reféns.

Em Melbourne, policias a cavalo tiveram que colocar-se entre os dois grupos para evitar os confrontos.

Realizaram-se ainda manifestações em Brisbane, Adelaide, Perth e Hobart, onde um homem que participava na marcha do «Recuperar Austrália» foi detido e acusado de assalto depois de confrontos entre o seu grupo e os defensores do multiculturalismo.