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Paris: «pequena peregrinação» junta 150 mil muçulmanos

XVI Encontro Anual dos Muçulmanos de França passa mensagem de fidelidade aos valores do Islão

Por: Redacção / AP  |  13- 4- 2009  23: 17

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Cerca de 150 mil participantes assistiram durante quatro dias ao XVI Encontro Anual dos Muçulmanos de França, perto de Paris, que passou a mensagem de fidelidade aos valores do Islão mas aconselhou a evitar o isolamento, avança a Lusa.

Desde sexta-feira que fiéis, homens de um lado e mulheres do outro, escutaram atentamente os discursos na sala de conferências de um parque de exposições do Bourget, no Norte de Paris, felizes por se encontrarem para o que consideram como uma «pequena peregrinação».

«A crise financeira: uma abordagem islâmica», «A contribuição da civilização muçulmana para a humanidade» e «A religião nas nossas sociedades modernas: valores a partilhar, especificidades a assumir» faziam parte dos temas desta concentração organizada pela União das Organizações Islâmicas em França).

União próxima da Irmandade Mulçumana

A União é considerada como próxima da Irmandade Muçulmana. Ela constitui um dos ramos do Conselho Francês do Culto Muçulmano, criado em 2003 pelo actual presidente Nicolas Sarkozy, então ministro do Interior, para organizar o culto muçulmano em França, mas vive um período de profundas divisões.

A principal intervenção do Encontro ocorreu sábado e foi protagonizada pelo controverso islamólogo Tariq Ramadan, neto de Hassan El-Banna, fundador da Irmandade Muçulmana.

«Devemos agir de maneira a que as nossas crenças não colonizem as crenças dos outros. Não impomos a ninguém acreditar no que cremos», explicou o professor, suíço de origem egípcia, sob os aplausos do público.

«Sejam fiéis a vós mesmos», exortou, numa sala a abarrotar. «Não se isolem. Só assim não farão medo».

O seu irmão, Hani Hani Ramadan, também perito no Islão, teve um discurso mais radical, estimando nomeadamente que o Islão sofre «de lhe serem aplicados critérios redutores próprios da cultura ocidental».

Cinco milhões de muçulmanos em França

A jihad mete medo porque é sentida como sinónimo de «guerra» quando a palavra significa «esforço, luta em favor da paz», explicou, acrescentando que «se o Islão for atacado, Deus manda defendê-lo».

«Hoje, é o Islão que é atacado na Chechénia e em Gaza e os muçulmanos têm o direito de defender-se», acrescenta, convidando os muçulmanos a «envolverem-se».

Nas alamedas, mulheres veladas ou sem véu, misturavam-se com pais de família, jovens e velhos, interessados em escutar a conferência, recolher-se ou aproveitar de um «local de convívio», segundo Hamed Ed-Dyouri, director de um colégio privado muçulmano em Vitry-sur-Seine, no Sul de Paris.

A França tem cerca de cinco milhões de muçulmanos, cinco por cento dos quais são praticantes regulares, segundo uma estimativa oficial. Haverá cerca de 1,5 milhões de argelinos de nacionalidade ou de origem, um milhão de marroquinos, 400 mil tunisinos, 340 mil africanos subsarianos (do Senegal e do Mali principalmente), 313 mil turcos, 70 mil muçulmanos da Ásia, sem contar como os convertidos e os muçulmanos indocumentados.

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