Dúvidas desfeitas. Pela versão do irmão de Jabel Albakr, o sírio suspeito de planear um atentado no aeroporto de Berlim, que tinha perigosas cargas explosivas em casa e foi detido na cidade alemã de Leipzig, este integrava mesmo a estrutura dos radicais do auto-intitulado Estado Islâmico.

O meu irmão radicalizou-se na Alemanha", assegurou Alaa Albakr, irmão do suspeito que foi encontrado morto na cela, na passada quarta-feira.

Em entrevista telefónica ao jornal Spiegel, a partir da Síria onde vive, Alaa contou que foi um imã muçulmano em Berlim que deu a volta à cabela do irmão. Diz, contudo, desconhecer a identidade do clérigo que o recrutou, mas assegura que quando o irmão chegou à Europa, em Fevereiro do ano passado, não manifestava quaisquer convicções políticas e seria incapaz de cometer um atentado.

Sei muito bem disso. Praticamente, era eu que cuidava dele", referiu o irmão, dez anos mais velho que Jabel.

Viagem ao quartel-general do ISIS

Contou Alaa que, já depois de ter conseguido o estatuto de refugiado na Alemanha, Jabel voltou à Síria. Antes, fora acolhido pelo tal imã que lhe mostrou vídeos da situação no seu país e o convenceu a juntar-se e a lutar com os radicais do Daesh.

Em setembro do ano passado, Jabel regressou à Síria, através da Turquia. O seu destino era Raqqa, a cidade que continua a ser o principal reduto dos efetivos do Estado Islâmico.

Nessa viagem, referenciada pelos serviços secretos na Turquia, Jabel esteve com a família.

Agora luto pelo ISIS", terá dito aos familiares antes de partir, segundo o irmão. Nunca mais lhes deu notícias.

Atentado na forja

Há uma semana, as autoridades alemãs foram alertadas por serviços secretos estrangeiros de que estava em preparação um atentado iminente. Assinalaram Jabel como o provável terrorista. No apartamento dele, foi encontrado um quilo e meio de explosivos semelhantes aos que foram utilizados nos ataques em Paris e Bruxelas.

Jabel fugiu e durante 48 horas foi o homem mais procurado na Alemanha. Através de um chat na internet usado por sírios, conseguiu sera acolhido por três compatriotas, que não sabiam que era procurado. Seriam esses mesmos, depois, a entregá-lo à polícia.

Frente a um juiz, Jabel ainda tentou incriminar os três sírios que o tinham acolhido. Sem sucesso. Foi preso, até que na passada quarta-feira foi encontrado morto na cela. Tudo indica que se suicidou.

Polémica com morte na cela

O sistema judicial do Estado alemão da Saxónia está agora em julgamento. Procuram-se respostas para como foi possível permitir que um suícidio tenha ocorrido na prisão. Mais ainda de um forte suspeito de terrorismo, com ligações que poderiam fornecer informações preciosas à polícia.

Jabel de 22 anos ter-se-á enforcado com uma camisola. Depois da morte, o ministro da Justiça do estado da Saxónia tentou explicar-se. Admitiu tratar-se de um facto "inesperado" e que a equipa de psicólogos não tinha detetctado no suspeito qualquer "risco de suicídio".

Não se devia ter passado, mas lamentavelmente assim aconteceu", referiu Sebastian Gemkow, quando confrontado pela imprensa. Sem, contudo, adiantar se haveria lugar a consequências ao nível dos serviços prisionais pelo sucedido.