Os irlandeses vão decidir esta sexta-feira se querem ou não legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, através de um referendo. Apesar de haver 20 países em todo o mundo que já legalizaram o casamento homossexual, incluindo Portugal, a Irlanda é o primeiro a fazer um referendo sobre o tema.

Por isso, independentemente do resultado, o ato eleitoral já está a fazer história, num país onde, até 1993, os relacionamentos gay eram proibidos.

O governo irlandês e os principais partidos da oposição estão confiantes de que os eleitores vão votar a favor da legalização. Dublin garante que há cerca de 68 mil novos eleitores, registados nos últimos quinze dias, que vão participar no referendo. O executivo considera, por isso, que os mais novos deverão contribuir para uma vitória do "Sim".

Ainda assim, numa última entrevista televisiva, o primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, deixou um apelo aos eleitores, pedindo-lhes para votarem a favor, “pelo amor e pela igualdade”.

As sondagens, de resto, apoiam a previsão do governo, colocando o "Sim" sempre à frente do "Não".

No entanto, a campanha contra a legalização do casamento homossexual intensificou-se nos últimos dias. Só na última semana, um movimento que juntou católicos e protestantes distribuiu mais de 90 mil panfletos, um pouco por todo o país.

Vários intelectuais ligados à religião, escritores e ativistas conservadores juntaram esforços e pediram um "Não" aos eleitores, considerando que o voto a favor pode criar uma "crise de consciência" no país. Padday Monaghan, um  dos coordenadores do movimento, deixou um aviso:

“Avisamos os eleitores sobre as implicações, no domínio da consciência, que o voto a favor vai trazer esta sexta-feira. (..) Redefinir o casamento é algo que nos é vendido pelos media e pelas instituições políticas."


Mas o facto de ser o primeiro país a referendar o casamento homossexual não é visto como uma coisa necessariamente boa, mesmo para quem defende os direitos gay. Muitos consideram que as matérias relacionadas com as minorias e a igualdade não devem ter de ser submetidas ao julgamento dos eleitores.
 
O ato eleitoral, cujo resultado deverá ser conhecido este sábado, já está a agitar as redes sociais e a suscitar o interesse de muitos utilizadores, um pouco por todo o mundo.