O Curdistão iraquiano propôs esta quarta-feira “congelar os resultados” do referendo de independência, realizado há um mês, e que esteve na origem de uma grave crise política com o governo federal de Bagdad.

O Iraque pede a anulação dos resultados desta consulta, que o “sim” ganhou por larga maioria, como pré-requisito para qualquer diálogo.

As autoridades centrais assumiram, como medida de retaliação, de grandes áreas do território que as forças curdas tinham tomado o controlo ao longo dos anos além das fronteiras da região autónoma.

Em comunicado, o Executivo do Curdistão disse "propor ao Governo e à opinião pública iraquiana (...) o congelamento dos resultados do referendo (...) e o início de um diálogo aberto" entre o Curdistão e Bagdad "com base na Constituição".

O texto com três pontos propõe igualmente "um cessar-fogo imediato e o fim das operações militares no Curdistão", depois de mais de 30 combatentes curdos e membros das forças governamentais e paramilitares iraquianas terem morrido nas operações de "restauração do poder central" nas zonas disputadas, nomeadamente na rica província de Kirkuk.

Ao perder os imensos poços de petróleo, o Curdistão viu perder qualquer possibilidade de um Estado viável economicamente, asseguraram os peritos.

Por sua vez, a ONU, que até à véspera do referendo de 25 de setembro defendia um plano alternativo de negociações, reiterou na terça-feira a sua proposta de ajudar às conversações entre Bagdad e Erbil para acabar com a escalada.

Em comunicado, o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas no Iraque, Jan Kubis, declarou-se "confiante que apesar das recentes tensões, o Iraque vai ultrapassar a crise".

O parlamento regional do Curdistão iraquiano aprovou na terça-feira o adiamento por oito meses das eleições legislativas, previstas para 01 de novembro, e deverá anunciar em breve a nova data das presidenciais, previstas para o mesmo dia.

O adiamento ocorreu um mês depois da realização de um referendo sobre a independência da região autónoma.

O Iraque enviou forças militares para desalojar os combatentes curdos (`peshmergas`) de zonas disputadas que controlavam desde o recuo do exército iraquiano face ao avanço dos `jihadistas` do grupo extremista Estado Islâmico.