O primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, revelou, este domingo, a existência de 50 mil nomes fictícios no exército. Na denúncia dessa lista de «soldados fantasma», a maior fraude do exército do país, Haider prometeu acabar com a corrupção.
 
O comunicado de Haider al-Abadi definia que os pagamentos desses 50 mil nomes deviam deixar de ser efetuados, explicando que esses «soldados fantasma» ou nunca existiram ou deixaram de prestar serviço, mas que se continuaram a pagar os salários.
 
«Existem dois tipos ‘fadhaiyin’», expôs um oficial das forças de segurança à agência de notícias AFP, referindo-se aos soldados fictícios aglomerados na folha de pagamento. «O primeiro tipo: é permitido que cada funcionário, por exemplo, tenha cinco guardas. Ele mantém dois, envia três para casa e fica com o salário desses», disse o oficial.
 
«Depois o segundo e maior grupo está ao nível da brigada. O comandante tem, normalmente, 30 ou 40 soldados que ficam em casa ou que não existem. O problema é que, para manter o seu posto tem de subornar os superiores hierárquicos com valores elevados», explicou o oficial. E explicou ainda que, por essas razões, milhares de soldados que desertaram ou morreram este ano, raramente foram declarados como tal.
 
Desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro, em setembro, Abadi tem demitido vários comandantes e o anúncio de domingo sugere que pretende enfrentar a corrupção que prevalecia na época do seu antecessor, Nouri al-Maliki.
 
«Durante as últimas semanas, o primeiro-ministro tem feito de tudo para expor os soldados fantasma e conseguir chegar à raiz do problema», declarou Rafid Jaboori, porta-voz de Abadi.
 
Rafid Jaboori disse que uma contagem completa dos soldados, durante a realização da última folha de pagamentos, revelou a discrepância e levou à identificação dos nomes fictícios. No entanto, o comunicado não deixou claro quem é que descobriu os fantasmas.