As superpotências e o Irão chegaram a acordo sobre uma redução do programa nuclear iraniano em troca do levantamento de algumas sanções. O contrato foi alcançado em Genebra, na Suíça. Ao fim de quatro dias de negociações,O Irão comprometeu-se a reduzir a atividade nuclear, que vai continuar sob supervisão internacional. À mesa das negociações sentaram-se o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, a representante da União Europeia, Catherine Ashton, por exemplo, partes do grupo o grupo 5+1.

Os presidentes dos dois países e Israel já comentaram o assunto

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou este domingo que o acordo alcançado em Genebra sobre o programa nuclear iraniano é um «grande acordo» que «torna o mundo mais seguro».

Obama confirmou que o acordo alcançado entre o Irão e os Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha vai congelar nos próximos seis meses o programa nuclear de Teerão com o objetivo de este servir «total e exclusivamente objetivos pacíficos».

Também o Presidente do Irão, Hassan Rohani, congratulou-se com o acordo alcançado em Genebra com as grandes potências mundiais sobre o controverso programa nuclear do seu país, considerando que ele vai «abrir novos horizontes».

«O compromisso construtivo e os esforços incansáveis das equipas de negociação vão abrir novos horizontes», escreveu o Presidente iraniano na sua conta do Twitter.

Rohani salientou que o acordo com os Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha foi possível devido ao «voto do povo iraniano a favor da moderação», referindo-se à sua eleição em junho, com a qual lançou uma política de abertura em relação ao ocidente.

Este acordo foi o resultado de uma discussão de vários meses. Os Estados Unidos e o Irão tiveram discussões bilaterais secretas desde o verão, de acordo com um alto responsável norte-americano citado pela agência AFP, depois da conclusão de um acordo nuclear com Teerão.

O responsável, que falou sob anonimato, explicou que os Estados Unidos «tiveram algumas discussões bilaterais com os iranianos desde a eleição do Presidente Rohani», em junho, confirmando, assim, as revelações de sábado à noite do portal Al-Monitor, especializado no Médio Oriente.

«Os Estados Unidos sempre disseram claramente que o grupo 5+1 [Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha] era o canal apropriado para as negociações com o Irão para se alcançar um acordo sobre o programa nuclear», disse a mesma fonte ao salientar que as discussões bilaterais de Washington e Teerão foram «limitadas».

A reação de Israel não se fez esperar. O gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, divulgou um comunicado oficial este domingo em que defende que Teerão conseguiu «o que queria», considerando como mau o acordo alcançado em Genebra sobre o programa nuclear iraniano.

«É um mar acordo que dá o que o Irão queria: o alívio parcial das sanções e manutenção de uma parte essencial do seu programa nuclear», refere a nota oficial divulgada algumas horas após a conclusão de um acordo histórico entre as grandes potências mundiais e Teerão.

Para Israel, o acordo «permite ao Irão continuar a enriquecer urânio, deixar no local as centrifugadoras e produzir materiais para uma arma nuclear», realça o comunicado, lamentando o facto de o acordo não prever o desmantelamento das centrais nucleares iranianas.

Por seu turno, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já veio dizer que Israel e os seus aliados do Golfo «têm boas razões para serem céticos sobre as intenções do Irão», apesar do acordo nuclear alcançado esta noite com Teerão.

Obama vincou, num discurso proferido após o acordo alcançado em Genebra entre o Irão e as grandes potências mundiais, a promessa dos Estados Unidos de impedir que Teerão consiga construir uma bomba atómica, considerando que esta noite foi dado «um importante primeiro passo» que «torna o mundo mais seguro», cita a Lusa.