O líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, disse hoje que a Arábia Saudita vai sofrer uma “vingança divina” pela execução de um líder religioso xiita, horas depois de manifestantes atacarem a embaixada do reino em Teerão.
 

“O derramamento injustificado de sangue deste mártir vai ter rápidas consequências”, disse Khamenei perante um grupo de clérigos na capital, referindo-se a Nimr al-Nimr, que foi executado juntamente com outros 46 homens, no sábado.


“Este académico não encorajava pessoas à ação armada nem conspirava secretamente. A única coisa de que é culpado foi de fazer duras críticas públicas, impelido pelo seu zelo religioso”, afirmou.

Também o principal líder religioso xiita do Iraque, aiatola Ali al-Sistani, considerou já a execução do religioso xiita Nimr Baqir al-Nimr como uma agressão.
 

“Recebemos com profunda tristeza e lamentamos a notícia do martírio de um grupo de nossos irmãos na região (…) O derramamento do seu sangue puro é uma injustiça e uma agressão”, afirmou al-Sistini.

Quarenta pessoas presas após ataque contra embaixada


Soube-se, entretanto, que 40 pessoas foram presas após o ataque contra a embaixada da Arábia Saudita na noite de sábado para domingo em Teerão, anunciou o procurador da capital iraniana, Abbas Jafari Dolatabadi.
 

"Até agora, 40 pessoas que estão dentro da embaixada foram identificadas e presas. A investigação está em curso para identificar outros responsáveis por este incidente", disse o procurador, citado pela agência iraniana ISNA.
 

Aministia Internacional condena execução de 47 pessoas


A Amnistia Internacional também já veio condenar a execução de 47 pessoas realizada no sábado na Arábia Saudita, incluindo a do religioso xiita Nimr Baqir al-Nimr.
 

“O assassínio de al-Nimr sugere que as autoridades da Arábia Saudita estão a empregar a pena de morte em nome do antiterrorismo para ajustar contas e oprimir os dissidentes”, refere, em comunicado, o diretor da Amnistia Internacional para o Médio Oriente e Norte de África, Philip Luther.


Para a Amnistia Internacional, cumprir estas sentenças de morte “quando há sérias dúvidas sobre a legitimidade do julgamento, é uma justiça monstruosa e irreversível”.
 

Ban Ki-moon "profundamente consternado"


Tal como a AI, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, mostrou-se "profundamente consternado" com a execução de 47 pessoas e apelou à calma nas reações à sua morte, segundo o porta-voz da ONU.

Ban Ki-moon apelou “à calma e à moderação nas reações à execução de Nimr al-Nimr e pediu a todos os dirigentes da região para tentar evitar o agravamento tensões sectárias", disse o porta-voz da ONU no sábado noite.
 

Oposição alemã deixa apelo a Merkel


A oposição parlamentar alemã também pediu ao Governo de Angela Merkel para romper a “aliança estratégica”, política e comercial com a Arábia Saudita. O líder do partido Os Verdes, Cem Ozdemir, afirmou que o executivo da chanceler deve pôr fim à sua linha de “silêncio intolerável” contra as autoridades sauditas.

Para o líder de Os Verdes, a coligação da Merkel coloca os “interesses económicos e as exportações de armamento” na defesa dos direitos humanos e defende as suas relações com a Arábia Saudita no suposto papel estratégico do país na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico.