A crise com o Irão “não deve ter qualquer efeito” sobre os esforços para alcançar a paz na Síria e no Iémen, disse na segunda-feira o embaixador saudita na ONU.

Abdallah al-Mouallimi anunciou, em particular, que Riade “não vai boicotar” as próximas negociações de paz sobre a Síria, cita a Lusa.

“Vamos continuar a trabalhar duro para apoiar os esforços de paz na Síria e no Iémen”.

O novo ano arrancou com um incidente diplomático que parece trazer mais uma dor de cabeça aos líderes mundiais, particularmente a Barack Obama. A Arábia Saudita cortou relações com o Irão, este domingo, e já há países a seguirem as pisadas do reino. O Bahrein foi o primeiro a tomar a iniciativa, esta segunda-feira, seguido do Sudão e dos Emirados Árabes Unidos. 

Uma sequência de acontecimentos que culminou com um ataque à embaixada saudita no Irão intensificou tensões antigas entre os dois rivais do Médio Oriente. E com isto veio à memória a imagem de um pedaço de História que os Estados Unidos não esquecem: o cerco à embaixada norte-americana em Teerão, em 1979.  

Esta não é a primeira vez que a Arábia Saudita e o Irão estão de laços diplomáticos cortados. Basta recuar até finais da década de 80 para se verificar um episódio idêntico – mais concretamente ao período entre 1988 e 1991. 

O programa nuclear do Irão, por um lado, a morte de peregrinos iranianos em território saudita e as relações de Riade com o Ocidente, especialmente com Washington, por outro, são alguns dos motivos que têm servido de arma de arremesso entre as duas nações, alimentando um clima de enorme hostilidade. 

Mas a verdadeira razão para tanta rivalidade leva-nos para o plano religioso: a Arábia Saudita é um reino sunita e o Irão uma república que é o berço dos xiitas.