Um confronto nuclear entre a Índia e o Paquistão provocaria uma fome à escala mundial que poderia resultar em dois mil milhões de mortos e acabar com a civilização, segundo um estudo publicado hoje.

Mesmo limitando o cenário a ataques entre Nova Deli e Islamabad, o resultado refletir-se ia na atmosfera e nas colheitas, o que acentuaria a crise nos mercados alimentares mundiais, indica-se no estudo da Organização Internacional dos Físicos para a Prevenção da Guerra Nuclear (IPPNW, na sigla original), premiada com o Nobel da Paz em 1985.

Uma versão preliminar do estudo divulgada em abril de 2012 estimava mil milhões de possíveis mortos devido ao confronto, mas hoje os especialistas admitem que essa era uma estimativa por baixo, que não tinha em conta os efeitos na população chinesa.

«Mil milhões de mortos no mundo em desenvolvimento é manifestamente uma catástrofe sem paralelo na história humana, mas se lhe juntarmos 1,3 mil milhões de mortos na China, trata-se claramente do fim da civilização», considerou o autor do estudo, Ira Helfand.

O estudo debruça-se sobre um cenário de confronto entre Índia e Paquistão devido às tensões constantes entre as duas potências nucleares, que já se envolveram em três conflitos desde as suas independências em 1947, mas qualquer ataque nuclear teria consequências semelhantes, salientou.

«Neste tipo de guerra, haveria sobreviventes em todo o planeta mas o caos resultante acabaria com tudo o que conhecemos», afirmou.

As detonações nucleares enviariam detritos para a atmosfera que fariam reduzir em 21 por cento a produção de arroz em quatro anos e mais dez pontos percentuais nos seis anos seguintes, calculou.

A produção chinesa de trigo cairia para metade no primeiro ano após o conflito e seria sempre 30% inferior ao normal, mesmo dez anos depois.

Além da queda na produção, o aumento de preços resultante tornaria estes produtos alimentares inacessíveis a centenas de milhões de pessoas, indicou ainda.