Notícia atualizada às 12:06

O primeiro-ministro de Timor-Leste vai abandonar o cargo em breve, disse esta quita-feira Xanana Gusmão à agência Lusa, depois de se ter despedido do Parlamento Nacional, durante a discussão do Orçamento do Estado.

«Depois deste orçamento», afirmou Xanana Gusmão, sem precisar uma data, quando questionado pela Lusa sobre o momento em que vai apresentar a demissão do cargo de primeiro-ministro.

No início do seu discurso para apresentar o Orçamento do Estado de 2014, Xanana Gusmão despediu-se dos deputados do Parlamento Nacional: «É com todo o respeito que me dirijo, e pela última vez na qualidade de primeiro-ministro, a esta que é por excelência a casa mãe da nossa democracia».

Em novembro, Xanana Gusmão já tinha afirmado à Lusa que deixaria de assumir funções de primeiro-ministro até 2015 para passar as competências para as novas gerações.

Xanana Gusmão ocupa o cargo de chefe de Governo desde agosto de 2007, depois de um mandato como Presidente da República.

O ex-líder da resistência timorense voltou a assumir o cargo de chefe do Governo em agosto de 2012, após o partido de que é fundador, Conselho Nacional da Reconstrução de Timor-Leste, ter ganho as eleições legislativas.

«Eu já dei tudo o que pude dar. Vamos ajudar mais em termos de consolidar a visão sobre o futuro. Não vamos imiscuir-nos nos trabalhos do dia-a-dia, para eles sentirem a responsabilidade e que são responsáveis pelos seus atos», salientou na altura.

A imprensa timorense tem avançado o mês de setembro para Xanana Gusmão apresentar a demissão.

O secretário-geral do Conselho Nacional de Reconstrução de Timor-Leste, Dionísio Babo, disse que o partido respeita, mas não concorda, com a intenção do primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, de abandonar o cargo tão cedo.

«Nós respeitamos, mas o CNRT não concorda com a demissão tão cedo», disse o secretário-geral do partido presidido e fundado por Xanana Gusmão.

Dionísio Babo explicou à agência Lusa que a intenção do primeiro-ministro «não é uma surpresa», porque desde o início da atual governação que já tinha anunciado que não iria completar o ciclo governativo.

O secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente disse que a substituição de Xanana Gusmão como primeiro-ministro será difícil, mas que a Fretilin vai deixar que o ciclo governativo se complete, afastando a hipótese de eleições antecipadas.

«Sei que será uma substituição difícil, particularmente se a estrutura orgânica do Governo se mantiver. É um Governo muito pesado, cheio de contradições, de sobreposições de competências e disfuncional», afirmou à agência Lusa Mari Alkatiri.

Questionado sobre possibilidade de a saída de Xanana Gusmão provocar eleições antecipadas, o secretário-geral da Fretilin afastou a hipótese e disse que a postura do seu partido é de «deixar que o ciclo governativo se complete».

Os líderes de dois dos partidos que integram a coligação do Governo timorense manifestaram confiança na decisão do primeiro-ministro.

O presidente do Partido Democrático (PD), Fernando La Sama de Araújo, que no atual Governo timorense ocupa o cargo de vice-primeiro-ministro, disse que confia nas decisões de Xanana Gusmão.

«Eu já afirmei uma vez que tenho muita confiança nas decisões do primeiro-ministro tal como tive no tempo da resistência, também tenho no processo da reconstrução do novo Estado», afirmou o presidente do PD.