O Presidente da Venezuela afirmou que o seu Governo está disponível para retomar o diálogo com os Estados Unidos numa base de «respeito mútuo» para caminhar para uma «relação positiva» entre os dois países.

«Sobre o fundamento básico do respeito, é possível retomar os temas conversados» pelos responsáveis das pastas das relações exteriores, disse Nicolás Maduro numa referência a um encontro em junho passado entre o Secretário de estado norte-americano, John Kerry, e Elías Jaua, titular da pasta das relações exteriores no Governo da Venezuela.

Apesar da disponibilidade, Maduro condiciona o regresso ao diálogo recusando novos incidentes como a proibição do Governo de Barack Obama à passagem do avião presidencial venezuelano no espaço aéreo dos Estados Unidos, como aconteceu em setembro quando Maduro se deslocou à China.

Para Nicolás Maduro, os Estados Unidos terão de entender que a Venezuela é um «país verdadeiramente independente» e considerou algumas posições norte-americanas como «infantis».

A Venezuela e os Estados Unidos mantêm as suas embaixadas a nível de encarregados de negócios depois de, no final de 2010, terem ficado sem embaixadores.

Nos últimos meses a Venezuela cancelou em duas ocasiões iniciativas para manter o diálogo com os Estados Unidos em reações a comentários de funcionários norte-americanos que considerou serem uma ingerência.

Em setembro voltaram a tocar um ponto baixo de relacionamento quando Nicolás Maduro expulsou três funcionários da embaixada norte-americana em Caracas por suspeita de intervenção em assuntos internos.

Maduro anuncia mudança de ministros

Nicolás Maduro anunciou na quarta-feira a saída do cargo do atual ministro das Finanças, Nelson Merentes, uma reforma do sistema de controlo de divisas e a manutenção do câmbio de 6,3 bolívares por dólar norte-americano em 2014 e «bastante tempo».

O chefe de Estado defendeu que as mudanças acontecem em função do plano de desenvolvimento que tem sido encetado e para a «expansão de um sistema financeiro ao serviço da pátria».

Na remodelação governamental, Maduro decidiu fundir o Ministério da Banca Pública com o Ministério das Finanças e colocar na nova pasta Marcos Torres que até agora era apenas titular da pasta da Banca Pública.

Já Nelson Merentes irá regressar ao Banco Central, entidade que presidiu até passar a ocupar a pasta governamental em abril de 2013.

Perante o parlamento, onde passou em revista o ano de 2013, Nicolás Maduro anunciou também o fim da Comissão Estatal de Administração de Divisas que terá as suas funções absorvidas pelo novo Centro Nacional de Comércio Externo, que será liderado pelo até agora ministro do Comércio Alejandro Flemming.

A Venezuela atravessa uma complicada situação económica com uma inflação que terminou em 2013 acima dos 56% e um crónico problema de abastecimento de bens essenciais.