A procuradora-geral da Venezuela, Luísa Ortega Diaz, confirmou esta terça-feira que estão em curso investigações a 183 denúncias de homicídio e maus-tratos a cidadãos, durante as manifestações anti-governamentais que desde 12 de fevereiro ocorrem no país.

«Estão privadas de liberdade 88 pessoas, das quais três são estudantes, sobre os quais existem suficientes elementos que os comprometem em crimes. Em matéria de direitos humanos, iniciaram-se 183 investigações e foram apresentadas seis acusações por delitos de homicídio e maus-tratos», disse.

Segundo Luísa Ortega Diaz, durante as manifestações, 43 pessoas morreram, entre elas um procurador do Ministério Público e nove oficiais de organismos de segurança.

Por outro lado, 872 pessoas ficaram feridas, registaram-se avultados danos em propriedades públicas e privadas e foi prejudicado o normal desenvolvimento de atividades produtivas.

«Das 3.346 pessoas detidas em todo o país, aproximadamente 1.400 obtiveram liberdade plena», garantiu Ortega Diaz.

Há mais de cinco meses que se registam protestos diários na Venezuela devido à crise económica, inflação, escassez de produtos e medicamentos, insegurança, corrupção, alegada ingerência cubana e repressão por parte de organismos de segurança do Estado.

Alguns protestos degeneraram em confrontos violentos, durante os quais morreram pelo menos 43 pessoas.

Catorze polícias estão presos no âmbito de investigações por alegadas violações de direitos fundamentais dos manifestantes.