O Vaticano assegurou esta segunda-feira que os casos de pedofilia que envolvem membros do clero estão «em declínio» e que este é um facto que deve ser reconhecido, durante uma audição pelo Comité das Nações Unidas contra a Tortura.

«A tendência mostra que as medidas adotadas nos últimos dez anos pela Santa Sé e pelas igrejas a nível local têm dado resultados positivos e continuaremos nesta direção», declarou hoje o representante permanente do Vaticano junto das Nações Unidas em Genebra, Silvano Tomasi.

O responsável acrescentou que a pedofilia «é um problema muito grave a nível mundial, com milhões de casos reportados todos os anos, sobretudo dentro das famílias, em todas as profissões e contextos», e a preocupação da Igreja é «proteger as crianças».

«A Igreja deve fazer a sua própria limpeza dentro de casa», reconheceu Tomasi.

Por outro lado, o Vaticano insistiu, na mesma sessão, que não tem jurisdição sobre «cada membro da Igreja Católica», incluindo os sacerdotes que cometeram abusos sexuais contra menores em qualquer parte do mundo.

«A Santa Sé deseja reiterar que as pessoas que vivem num país estão sob a jurisdição das legítimas autoridades desse país e submetidas às suas leis nacionais», declarou o representante permanente do Vaticano.

Os casos de pedofilia no seio da Igreja Católica dominaram grande parte do diálogo entre os representantes do Vaticano e os membros do órgão da ONU, que pediram a Tomasi que oferecesse informações sobre os casos que estão a ser investigados, as medidas de prevenção que se aplicam e a compensação às vítimas.

Esta audição, que deverá prolongar-se durante dois dias, é a primeira desde 2002, quando o Vaticano assinou uma convenção internacional condenando a tortura e tratamento degradante, cruel e desumano.

Grupos de apoio a vítimas insistem que as violações e molestações de crianças praticadas pelo clero e laicos inserem-se nos termos desta convenção.

Centenas de padres têm sido afastados, mas subsistem críticas de que a ação do Vaticano tem sido demasiado lenta e incapaz de deter a praga da pedofilia entre o clero, escreve a Lusa.