A vacina contra o ébola terá o seu primeiro teste em humanos ainda esta semana. O Instituto Nacional de Saúde norte-americano (NIH, em inglês) recebeu luz verde para avançar com um «ensaio de segurança humana».

A vacina experimental foi desenvolvida pela farmacêutica GlaxoSmithKline e pelo NIAID e será testada, numa primeira fase, em três voluntários saudáveis para perceber se terá algum efeito secundário adverso, explica a CNN. Se tudo correr bem, e esse primeiro passo for considerado seguro, será administrada a outro pequeno grupo de voluntários, entre os 18 e os 50 anos. A ideia é perceber se a vacina produz uma forte resposta imunológica ao vírus. Claro que todos os efeitos secundários serão monitorizados à risca.

A dosagem também vai variar. Primeiro, será através de uma injeção no braço, com uma dose baixa. Só depois de a segurança da vacina ser provada, é que se experimentará uma dose mais elevada.

Os voluntários terão diferentes nacionalidades: vêm do Reino Unido, Gâmbia e Mali, por agora, uma vez que os detalhes da experiência foram finalizados com as autoridades de saúde desses países.

Perguntar-se-á o leitor se o teste não poderia ser já feito nos países afetados pelo surto de ébola (Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria). Acontece que a infra-estrutura de saúde existente nesses países não conseguiria apoiar esta iniciativa, segundo o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID, em inglês), Anthony Fauci, citado pela CNN.

Gâmbia e Mali entram na lista de teste, dadas as relações de colaboração «de longa data» que o NIH mantém com os cientistas desses países. De qualquer modo, estão também em curso conversações com a Nigéria, para realizar parte do ensaio lá.



O financiamento de um consórcio internacional formado para combater o ébola permitirá à GlaxoSmithKline fabricar até 10.000 doses adicionais da vacina, enquanto os ensaios clínicos estão em andamento, avançou a própria num comunicado citado também pela CNN.

Os anteriores ensaios com chimpanzés foram muito positivos, mas em seres humanos é sempre difícil de prever. Se o otimismo se confirmar, estas doses serão disponibilizadas assim que a Organização Mundial de Saúde decidir dar luz verde à imunização em comunidades de alto risco.