A União Europeia vai rever as relações com o Egito nos próximos dias, na sequência dos violentos confrontos entre apoiantes do presidente deposto Mohamed Morsi e as forças de segurança egípcias.

Um comunicado conjunto do presidente do Conselho Europeu, Van Rompuy, e do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, apela à contenção de ambos os lados para evitar mais violência.

«A União Europeia vai rever urgentemente as suas relações com o Egito e tomar medidas para alcançar estes objetivos», pode ler-se na nota citada pela Reuters.

Os confrontos verificados nos últimos dias no Egito já fizeram cerca de 750 mortos. Só neste sábado, 385 pessoas que estavam no interior da mesquita Al-Fath, que foi evacuada pelas forças de ordem egípcias, foram detidas.

«A violência e os assassinatos dos últimos dias não podem justificar-se nem tolerar-se. Os direitos humanos devem respeitar-se. Os prisioneiros políticos devem ser libertados», acrescenta o comunicado.

Segundo a agência EFE, na segunda-feira realizar-se-á uma reunião em Bruxelas para analisar a situação e estudar a eventual convocatória de um encontro extraordinário dos ministros europeus dos Negócios Estrangeiros.

«As solicitações de democracia e de liberdades fundamentais da população egípcia não podem ser ignoradas e muito menos manchadas de sangue», assinalam Van Rompuy e Durão Barroso.

Os dirigentes europeus pedem a «máxima contenção» a todas as partes, mas atribuem «particular responsabilidade» pela situação que se vive naquele país ao Governo interino e ao Exército.

«Lamentamos profundamente que os esforços e propostas internacionais para estabelecer um processo político inclusivo, para os quais a União Europeia contribuiu ativamente, tenham sido postos de lado e se tenha optado pelo caminho dos confrontos», acrescentam.

Os dirigentes europeus consideram que «não há alternativa ao diálogo» e que «todas as forças políticas egípcias devem voltar a comprometer-se com o futuro democrático do país e participar num processo político que leva à realização de eleições e à reposição de um governo civil».

Van Rompuy e Barroso recordam que esse era o compromisso do executivo interino quando assumiu o poder e apelam ao exército para que «respeite e apoie esse processo político».

Entretanto, o Egito vai rever toda a ajuda internacional que recebe para verificar se é usada de uma forma «positiva», anunciou o ministro das Relações Exteriores egípcio, Nabil Fahmi.

«As ajudas estrangeiras não implicam uma intervenção nos nossos assuntos», disse Nabil Fahmi em conferência de imprensa, acrescentando ter pedido ao Governo a revisão deste assunto.

O ministro das Relações Exteriores explicou que o que acontece atualmente no Egito «é muito mais importante do que pensar agora na ajuda externa» e rejeitou a atitude de alguns países que ameaçaram retirar ou suspender a sua assistência ao país por causa da crise e da violência.



Os apoiantes do presidente islamita deposto Mohamed Morsi apelaram a novas manifestações para denunciar o que consideram ter sido um golpe de Estado. As marchas de protesto no Cairo foram, no entanto, canceladas por razões de segurança.

O estado de emergência e o recolher obrigatório noturno continuam em vigor no Egito, que se transformou num campo de batalha desde a dispersão à força dos acampamentos no Cairo de apoio a Morsi.