Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que hoje ganhou o prémio Sakharov, sobreviveu a uma tentativa de homicídio pelos talibãs e hoje é um ícone global da luta pela educação das raparigas e pela paz.

Na sua recuperação após ser alvejada na cabeça por um atirador talibã, a ativista de 16 anos emergiu como um baluarte para todos os que querem ultrapassar a violência e a intolerância com dignidade.

Em julho foi aplaudida de pé na Assembleia Geral das Nações Unidas após prometer que nunca seria calada. Hoje ganhou o prestigiado prémio Sakharov pela Liberdade de Pensamento atribuído pelo Parlamento Europeu.

Malala começou a ser conhecida em 2009, quando, aos 11 anos, começou a escrever um blogue para o serviço de urdu da BBC, no qual descrevia a vida sob o domínio dos talibãs no Swat, o vale do noroeste do Paquistão onde vivia.

Em 2007, os militantes islamitas tomaram a região, que Malala afetivamente chamava de «o meu Swat», e impuseram um domínio brutal e sangrento.

Os opositores eram mortos, as pessoas eram publicamente açoitadas por supostamente quebrarem a «sharia», as mulheres foram proibidas de ir ao mercado e as raparigas impedidas de ir à escola.

O seu blogue, escrito sob o anonimato com a clareza e a franqueza de uma criança, abriu uma janela no Paquistão para as misérias que ocorriam no seu próprio território.

A sua luta ressoou com dezenas de milhares de meninas privadas de uma educação pelos militantes islamitas no noroeste do Paquistão, onde o Governo tem combatido os talibãs desde 2007.

Quando o exército lançou uma ofensiva para afastar os talibãs, Malala fugiu do Swat com a família, liderada pelo pai, Ziauddin, diretor de uma escola e ele próprio ativista pela educação.

Após este período difícil, Malala retomou o seu trabalho de promoção da educação, recebeu o primeiro prémio nacional de paz atribuído pelo Governo paquistanês e foi nomeada para o Prémio Internacional de Paz para as Crianças.

Mas a 09 de outubro do ano passado, os talibãs enviaram dois homens para matar Malala, que seguia no autocarro da escola.

Os talibãs paquistaneses reivindicaram o ataque e avisaram que qualquer mulher que os enfrentasse teria o mesmo destino.

No entanto, Malala não morreu. A bala roçou o cérebro e percorreu o pescoço, alojando-se no seu ombro e Malala ficou no hospital, a lutar pela vida, enquanto o mundo aguardava horrorizado.

Após ser operada no Paquistão, a jovem foi levada para tratamento no Reino Unido, onde acordou seis dias após o ataque.

«A primeira coisa que pensei foi, «Graças a Deus não estou morta». Mas não fazia ideia onde estava. Sabia que não estava na minha terra», escreveu Malala na sua autobiografia, publicada esta semana.

A jovem acabou por recuperar e ficou no Reino Unido, mais precisamente na cidade de Birmingham, onde continua a estudar, com o apoio da família, que se mudou do Paquistão para a acompanhar.

Ali aprendeu a viver como uma adolescente britânica, mas a sua determinação na luta pela educação, motivada pela iliteracia da mãe, continua intacta.

No seu discurso às Nações Unidas, no dia do seu 16.º aniversário, Malala prometeu lutar para que todas as crianças tenham o direito de ir à escola e garantiu que o ataque dos talibãs não a silenciaria.

«Nada mudou na minha vida, exceto isto: a fraqueza, o medo e o desespero morreram. A força, o poder e a coragem nasceram», disse.

A revista Time incluiu Malala na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo e o seu nome é candidato ao Prémio Nobel da Paz, que é conhecido na sexta-feira.

No futuro, Malala quer entrar na política para mudar o Paquistão e melhorar a educação, mas, para já, está concentrada em espalhar a mensagem que deixou nas Nações Unidas: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo».