Atualizada às 18:05 com reação dos EUA

Depois do impasse entre aplicar ou não sanções à Rússia, a União Europeia decidiu esta quinta-feira avançar com as punições económicas a Moscovo, com efeitos já a partir de amanhã, sexta-feira. Entrentanto, os EUA também vieram juntar-se à aplicação dos castigos.

Apesar de a UE querer avançar com as punições, as decisões são reversíveis, o que quer dizer que, se o plano de paz entre Kiev e os separatistas continuar a ser cumprido, as sanções podem ser canceladas.

Foi o próprio presidente do Conselho Europeu quem comunicou a decisão, acenando a uma revisão até ao final de setembro, se a Rússia se portar bem. No final do mês, será feita «uma análise detalhada da aplicação do plano de paz», com base numa avaliação dos serviços de Ação Externa da União Europeia, explicou Herman Van Rompuy.

«Se a situação no terreno o justificar», poderá ser proposto «alterar, suspender ou revogar o conjunto das sanções em vigor, no seu todo ou em parte», reforçou, citado pela Reuters.

Também Barack Obama alinha na imposição de sanções mais duras. Os EUA darão mais detalhes sobre as sanções que querem aplicar nos planos económico, energético e da defesa a Moscovo.

«Estas medidas irão aumentar o isolamento político da Rússia bem como os custos económicos para a Rússia, especialmente em áreas de importância para o presidente Putin e para as pessoas próximas a ele», lê-se no comunicado da Casa Branca, que a Reuters cita.

A imposição de novas sanções reflete a impaciência de alguns líderes europeus, para não deitar foguetes a menos de uma semana de tréguas, mas, ao mesmo tempo, a indicação de que as sanções poderão ser canceladas denota a preocupação daqueles países que estão especialmente dependentes do comércio com a Rússia e que querem fugir a retaliações.

Rompuy conversou hoje com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, com a chanceler alemã Angela Merkel e ainda com o Presidente francês François Hollande e com o chefe de Governo italiano, Matteo Renzi. As novas sanções entram em vigor assim que forem publicadas no Jornal Oficial da União Europeia, o que irá acontecer amanhã.

Rússia de olho em Angola para compensar sanções

A Rússia vira-se agora para Angola para compensar as sanções aplicadas pelo Ocidente. O país africano pretende, por sua vez, capitalizar a liquidez russa para equilibrar o orçamento deficitário.

É esta a análise feita pela Economist Intelligence Unit (EIU), a unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

É que o empréstimo de 1,5 mil milhões de dólares feito pelo banco russo VTB Capital, «um dos maiores créditos isolados que Angola recebeu nos últimos anos, é um indicador não só da solidez das relações entre os dois países, mas também do impacto que as receitas petrolíferas abaixo do previsto estão a ter nas contas de Angola».

Na nota de análise distribuída aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, os peritos da EIU lembram que este valor é maior que a totalidade do acordo assinado com o Fundo Monetário Internacional em 2009 para fazer face à falta de liquidez que se seguiu à queda dos preços do petróleo nessa altura.

Os analistas dão como exemplo o armamento: «A Rússia ficará feliz por vender a um país como Angola».