O presidente russo aceitou uma proposta da chanceler alemã de criação de «um grupo de contacto» para iniciar «um diálogo político» sobre a Ucrânia, disse este domingo o governo alemão, após um telefonema de Angela Merkel para Vladimir Putin, segundo escreve a agência Lusa.

«O presidente Putin aceitou a proposta da chanceler de estabelecer imediatamente uma missão de inquérito e um grupo de contacto, eventualmente sob a direção da OSCE [Organização para a Segurança e Cooperação na Europa], para dar início a um diálogo político», refere um comunicado do governo alemão, citado pela AFP.

No telefonema com Merkerl Putin justificou a intervenção, alegando que tem direito de defender os russos. Ainda assim, apesar da alegada disposição de Putin para conversar, Obama, depois de passar o domingo ao telefone, e os líderes da Alemanha, Reino Unido e Polónia mantiveram a «profunda preocupação» com a ameaça da Rússia à paz internacional e segurança.

Num comunicado, a Casa Branca revelou que os chefes de Estado defendem que o «diálogo entre a Ucrânia e a Rússia deve começar imediatamente com a apropriada moderação internacional».

Os apelos ao diálogo do ocidente são no entanto acompanhados também de um discurso mais duro, desta vez levado a cabo por Cameron, depois de numa primeira fase os avisos sérios terem partido de Obama. O primeiro-ministro britânico defendeu que se a Rússia não mudar a as ações na Ucrânia deverá pagar «custos significativos».

Este domingo, a Ucrânia ordenou uma mobilização militar total, em resposta aos avanços de forças militares russas na região da Crimeia.

Na região da Crimeia, há relatos de que os militares russos estão a cavar trincheiras junto à saída da península. Junto à sede do governo local em Simferopo, na Crimeia, está já um cordão de militares e voluntários com escudos pintados com a bandeira russa que parecem, calmamente, aguardar um sinal de ataque. Durante este domingo, vários populares passearem pelas ruas da cidade, tiraram fotos junto dos tanques, aplaudiram os navios de guerra e conviveram com os militares russos que cercam os principais locais estratégicos.

Já no resto da Ucrânia, nomeadamente em Kiev, milhares de ucranianos saíram à rua em memória, sentida com lágrimas, dos que morreram nos recentes confrontos na Praça da Independência. Manifestações também em Moscovo que saiu à rua em protestos com 27 mil pessoas a favor de Putin.

Do exterior, chegam pressões claras sobre Vladimir Putin: o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, avisou a Rússia que pode ser expulsa do G8. A reunião dos oito países mais desenvolvidos do mundo está prevista para Sochi, na Rússia, em Junho. «[A Rússia] não vai organizar a reunião do G8. Pode nem permanecer no G8 se continuar», disse John Kerry.

A França e o Reino Unido também usaram a reunião do G8 para pressionar Moscovo e suspenderam as suas presenças nas reuniões preparatórias. O Reino Unido revelou ainda, pelo Twitter do primeiro-ministro David Cameron, que «dada a situação na Ucrânia» os ministros britânicos vão ficar longe dos Jogos Paralímpicos em Sochi.

Também este domingo a Ucrânia abriu um processo de traição depois do Chefe da Marinha ter desertado e jurado fidelidade às autoridades pró-russas da Crimeia, durante uma conferência de imprensa transmitida na televisão russa e que ocorreu no estado-maior da frota russa em Sébastopol.

O almirante Denis Berezovsky estava apenas no segundo dia de trabalho e segundo conta Viktoria Syumar, vice-secretária do Conselho de Segurança da Ucrânia o oficial «depôs as armas e não ofereceu resistência durante o bloqueio pelas forças russas». Como resultado foi instaurado um processo criminal de traição de Estado.

Notícia atualizada às 00:20