Barack Obama avisou este sábado num telefonema com Vladimir Putin que a Rússia cometeu uma clara violação da soberania da Ucrânia ao enviar tropas russas para a Crimeia. O telefonema de 90 minutos entre os líderes das duas potenciais mundiais acontece depois de um dia de muita tensão, com a comunidade internacional a temer o início de uma nova guerra.

Vladimir Putin fez saber que ainda não tomou uma decisão definitiva, mas, esta é já a maior crise entre a Rússia e o ocidente desde o fim da guerra fria.

«Os EUA condenam a intervenção militar russa no território ucraniano», revelou a Casa Branca num comunicado sobre a longa conversa dos dois presidentes. A Casa Branca revela ainda que os Estados Unidos vão suspender a participação nas reuniões preparatórias para a cimeira G8 em Sochi, na Rússia.

Por seu lado, Vladimir Putin disse a Obama que Moscovo se reserva ao direito de proteger os interesses russos e daqueles que na Ucrânia falam russo. Num comunicado divulgado online, o Kremlin admite que Obama expressou preocupação com a possibilidade de uma intervenção russa na Ucrânia.

«Na resposta à preocupação mostrada por Obama sobre os planos de um possível uso das forças armadas russas na Ucrânia, Putin chamou a atenção para as ações provocativas e criminais levadas a cabo por ultra-nacionalistas encorajados pelas atuais autoridades em Kiev», lê-se no documento, que alega ainda que há uma ameaça real à vida dos russos na Ucrânia.

David Caiado deixa a Crimeia

O Kremlin diz que Putin ainda não decidiu invadir a Ucrânia, isto é, dizer, a Ucrânia além da Crimeia que, na prática já é controlada por forças russas desde sexta-feira. Em Kiev, o chefe do governo provisório, ainda assim, diz que está convencido que a Rússia não vai intervir militarmente no seu território.

Este sábado, o presidente interino da Ucrânia colocou as forças armadas em alerta de combate máximo, depois da câmara alta do Parlamento russo ter aprovado o pedido de Vladimir Putin para uso de tropas russas na Ucrânia.

Depois do telefonema com Putin, Obama fez uma nova ronda de contactos, desta vez com Francois Hollande e com o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper. Todos manifestaram grande preocupação com a tensão crescente na Crimeia, acordando que «a soberania da Ucrânia tem que ser respeitada».

Os três líderes sublinharam «a importância da unidade na comunidade internacional para apoiar a lei internacional e o futuro da Ucrânia e da democracia»

Em Simferopol, capital da Crimeia, são as bandeiras russas que estão no topo de todos os edifícios públicos. Apesar de algumas escaramuças, um tiroteio inclusive, a autoridade do governo central de Kiev é nula na Crimeia, onde quase sessenta por cento da população é etnicamente russa.

Em Kiev, a notícia de que o parlamento russo autorizou o envio de tropas para a Ucrânia, foi recebida com a exclamação «a guerra começou».

A ameaça agora é uma intervenção russa em larga escala no leste e sul do país, em regiões tradicionalmente pró-russas, como as de Khrkiv, Dniepropetrovsk ou Donetsk, região natal do presidente deposto Viktor Yanukovich.