Um grupo de membros do partido nacionalista Svoboda atacou o diretor da televisão pública ucraniana First Channel, esta terça-feira, obrigando-o a demitir-se do cargo.

O ataque foi filmado e publicado pelo porta-voz do partido, que ainda retirou o vídeo momentos depois, mas que entretanto já tinha sido divulgado.



Nas imagens podem ver-se os deputados Ihor Miroshnichenko, Andriy Illenko e Bohdan Beniuk, juntamente com outros homens, a entrarem no gabinete do diretor da TV pública.

Oleksandr Panteleymonov é questionado sobre a transmissão do discurso do presidente russo, Vladimir Putin, sobre a anexação da Crimeia.

«Os nossos telespectadores têm o direito de saber...», começa por alegar. «Saber o quê? Saber o quê?», gritam-lhe, quando o começam a cercar.

O deputado Ihor Miroshnichenko parece ser o líder do grupo e acusa o diretor da TV pública de querer descredibilizar a revolução, exigindo a sua demissão.

Este recusa e defende que é o Conselho de Ministros que tem a responsabilidade de o demitir ou manter no cargo. «O Conselho de Ministros acabou», grita-lhe Miroshnichenko, enquanto o arrasta pelo gabinete.

Os nacionalistas querem obrigá-lo a assinar um papel com a sua demissão e, perante a sua recusa, é agredido. O vídeo não mostra tudo, mas Oleksandr Panteleymonov acabou mesmo por demitir-se, refere o «Kiev Post».

O primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, já condenou o ataque. «Estes não são os nossos métodos. As ações destes deputados são inaceitáveis», disse.

«Ações destas podiam acontecer durante os protestos, mas agora são inapropriadas», admitiu também o líder do Svoboda, Oleh Tyahnybok.

O vídeo tornou-se viral e deu força ao lado russo, que acusa a extrema-direita de estar por trás da revolução na Ucrânia.

O procurador-geral ucraniano Oleh Maknitskiy, ele próprio um membro do partido nacionalista, já prometeu investigar o caso.

O deputado que se destaca nas imagens, e que ironicamente faz parte da comissão de liberdade de expressão, já disse que não está arrependido, porque o diretor da TV pública «serviu Putin e a propaganda russa numa altura em que os ucranianos estavam a morrer nas ruas».