O primeiro-ministro britânico classificou esta quinta-feira, em Bruxelas, como «inaceitável» o comportamento da Rússia, defendendo que «deve haver consequências» para a atuação de Moscovo para com a Ucrânia.

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Sobre o Conselho Europeu extraordinárioio, David Cameron salientou haver três temas em agenda, um dos quais enviar «um sinal claro ao Governo russo que o que aconteceu é inaceitável e deve haver consequências».

O primeiro-ministro britânico, que falava à entrada da reunião, adiantou ainda que os líderes europeus querem assegurar que a Ucrânia e a Rússia dialogam. Para Cameron, a União Europeia (UE) também tem de demonstrar a sua vontade de ajudar Kiev.

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Também o Presidente francês apelou a um aumento da pressão europeia sobre a Rússia, «o mais forte possível», para fazer baixar a tensão entre aquele país e a Ucrânia.

François Hollande adiantou que o objetivo desta pressão é o de «fazer baixar a tensão e abrir a via do diálogo» entre a Ucrânia e a Rússia.

O governante francês pediu ainda aos líderes dos 28 que falem «a uma só voz, com a mesma determinação e os mesmos objetivos», considerando que «se a Europa estiver unida, será útil».

Já a Presidente da Lituânia, antiga república da União Soviética, acusou Moscovo de querer redesenhar as fronteiras da Europa com as suas ações na Ucrânia, e lamentou que os líderes europeus ainda não tenham respondido a esta ameaça.

Dalia Grybauskaite considerou que, antes de mais, é necessário que a Europa mostre um sinal de união, mas observou que ainda não viu «uma reação expedita».

«Trata-se de uma agressão aberta e brutal, é exatamente isso que está a acontecer, e nós temos de o compreender. É uma demonstração de força, uma demonstração de comportamento imprevisível internacionalmente. Trata-se de redesenhar as fronteiras. A Rússia hoje é perigosa. A Rússia hoje é imprevisível», declarou.

Segundo a chefe de Estado lituana, a abordagem «musculada» da Rússia na Ucrânia representa uma ameaça direta a outras antigas repúblicas soviéticas e outros países, já que, sustentou, «depois da Ucrânia será a Moldávia, e depois da Moldávia serão outros países».

Os líderes europeus reúnem-se hoje em conselho extraordinário marcado com caráter de urgência para debater a situação na Ucrânia, tendo agendado um debate com o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniuk, que acusa Moscovo de ser responsável pela tensão, com as suas «provocações».

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