A reunião entre o presidente YanukovYch e os três dirigentes da oposição, que decorreu esta quarta-feira, com o objectivo tentar pôr fim aos confrontos, revelou-se «absolutamente inútil» segundo Tyahnybok, líder do Svoboda, um dos partidos.

Mais tarde, o dirigente de um outro partido, Udar, lançou um ultimato a YanukovYch. Em plena Praça da Independência, em Kiev, Vitali Klitschko garantiu que, caso o presidente não marque eleições antecipadas, os manifestantes irão «passar à ofensiva».

Klitscho afirmou ainda que a polícia se prepara para afastar os manifestantes da praça. «Temos de fazer os possíveis para evitar que nos tirem daqui» declarou o ex-boxeur.

Em resposta ao ultimato, o primeiro-ministro Mikola Azarov considerou que os opositores devem evitar ultimatos e mostrarem-se «mais humildes». «Estamos prontos para um acordo. Mas os líderes da oposição devem perceber que também eles têm a responsabilidade de evitar uma guerra civil e mais sangue derramado, tal como o governo», concluiu.

Entretanto, violência dos confrontos em Kiev continuou a aumentar. O número de feridos já ultrapassa os 300, e são já cinco os mortos confirmados na capital ao longo desta quarta-feira, de acordo com o coordenador médico dos manifestantes, Oleg Musiy.

Depois de uma madrugada marcada pela violência, os protestos continuaram durante todo o dia nas ruas de Kiev. Centenas de manifestantes queimaram pneus, carros e lançaram cocktails molotov contra as autoridades, que ripostaram com gás lacrimogéneo, balas de borracha e bastonadas, tornando o confronto inevitável.

O governo ucraniano afirmou que a polícia apenas usou balas de borracha, mas segundo informações dos serviços médicos do movimento de protesto, dois manifestantes morreram com ferimentos de munições reais.

Azarov acusou a oposição de ter colocado «terroristas» na rua. Numa altura em que as temperaturas na capital ucraniana atingem os 10 graus negativos, Azarov autorizou ainda a utilização de canhões de água.

A comunidade internacional já se mostrou chocada com a violência em Kiev. Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, garantiu que a EU está «pronta a pensar em sanções» para a Ucrânia no caso de haver «violação sistemática dos direitos humanos através de ataques às liberdades fundamentais».

Já foram várias as zonas da cidade de Kiev afectadas por estes protestos. Para além da Praça da Independência, os confrontos chegaram também ao estádio do Dínamo Kiev.

Os confrontos aconteceram no dia em que a Ucrânia festeja um feriado nacional, o Dia da Unificação. Estas mortes ocorreram dias depois da aprovação da lei que amplia os poderes da polícia e restringe as manifestações.