O envio de 20 mil tropas russas para a fronteira com a Ucrânia levanta a suspeita, por parte da NATO, de que o Kremlin esteja a planear uma invasão de Donetsk sob o pretexto de razões humanitárias.

As desconfianças foram tornadas públicas esta quarta-feira pelo porta-voz da organização de segurança, Oana Lungescu, num comunicado escrito: «Não podemos adivinhar o que vai na cabeça da Rússia, mas podemos ver o que é que a Rússia está a fazer no terreno e isso preocupa-nos imenso. A Rússia enviou 20 mil tropas para a fronteira leste com a Ucrânia», como cita a Reuters.

Moscovo sempre tem negado as acusações do ocidente de que tem sido a responsável pelo armamento dos rebeldes que querem a independência da região da Ucrânia e a sua integração no território russo, a exemplo do que já aconteceu na Crimeia. Mas, o primeiro-ministro polaco já veio mostrar publicamente o receio da intervenção armada russa naquele local face às movimentações dos últimos dias.

Não é a primeira vez que a NATO alerta para a concentração crescente de militares russos junto à Ucrânia. Anteriormente, a organização denunciou que tinham avançado 40 mil tropas russas para as proximidades de Donetsk, um número que reduziu consideravelmente em junho, mas que está outra vez a subir.



A recolocação dos meios militares deve-se certamente às novas sanções aprovadas pela União Europeia e os Estados Unidos contra o Kremlin. As relações do ocidente com o país de Vladimir Putin deterioraram-se ainda mais após a queda do avião da Malaysia Airlines, o MH17, com 298 civis a bordo, em que os Estados Unidos vieram desde logo denunciar que tinha sido abatido por um míssil e de que não se tratava de um acidente.

Enquanto decorre a investigação às causas da queda do Boeing, com avanços e recuos. Da dificuldade encontrada pelos investigadores em aceder ao local à sua retirada por questões de segurança, os habitantes daquela região ucraniana também se afastam e procuram abrigo longe da guerra que têm à porta.

A ONU estima que já morreram 1367 pessoas desde abril. Mas, o número até pode ser mais elevado. Os rebeldes avançam que já perderam 800 homens e acusam o governo ucraniano de não revelar o verdadeiro número de baixas por parte do regime.

O Estado ucraniano revelou um balanço oficial de 18 soldados mortos e 54 feridos só na terça-feira.