Os chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reconduziram esta quarta-feira no cargo o secretário-executivo da organização, o embaixador moçambicano Murade Murargy, segundo a Declaração de Díli.

Murade Murargy foi nomeado pela primeira vez secretário-executivo da CPLP na cimeira de chefes de Estado e de Governo de Maputo em julho de 2012.

Diplomata de carreira, Murade Murargy foi embaixador em França, Alemanha, Suíça, Tunísia, Gabão, Mali, Costa do Marfim, Senegal, Irão e da Palestina.

Timor-Leste assumiu hoje pela primeira vez a presidência da CPLP durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo, que decorreu durante todo o dia em Díli.

A cimeira ficou marcada pelo regresso da Guiné-Bissau à organização, suspensa em 2012 na sequência de um golpe de Estado, e pela adesão da Guiné Equatorial.

O ex-presidente santomense Miguel Trovoada considerou em Luanda «uma mais-valia» a adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), um alargamento que potenciar o desenvolvimento da organização.

A entrada da Guiné Equatorial, como membro de pleno direito da CPLP, por consenso e sem votação, foi anunciada em Díli, onde está a decorrer a décima cimeira de Chefes de Estado e de Governo dos países lusófonos.

Em declarações à agência Lusa, Miguel Trovoada disse que o facto de outros países manifestarem o interesse de entrada na CPLP demonstra que essa organização «não somente adquiriu credibilidade e alguma vitalidade, mas que ela tem efetivamente uma vocação a uma maior abrangência».

«Creio que a Guiné Equatorial, ao vir para a CPLP também representa para a própria CPLP uma mais-valia, na medida em que é um país que tem laços. Se formos à história, a língua espanhola não é muito diferente da língua portuguesa, na sua raiz, mas temos também o facto de a Guiné Equatorial partilhar também com outros países da CPLP, que é o caso de São Tomé e Príncipe, o caso de Angola, quase que o mesmo espaço geográfico da África central», frisou.

Segundo Miguel Trovoada, recentemente nomeado representante do Secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, a vontade da Guiné Equatorial de integrar a CPLP provém da afinidade que existe entre esses países que têm uma língua ibérica e também pelos laços históricos.

OPresidente Teodoro Obiang afirmou que a Guiné Equatorial «sofre claramente de orfandade cultural», por ser o único país hispânico de África, e sublinhou a sua proximidade a Portugal, «por razões históricas e linguísticas».

«Sendo a Guiné Equatorial o único país de fala hispânica na África, sofre claramente de uma orfandade cultural, que é uma realidade do colonialismo», declarou o chefe de Estado equato-guineense, numa intervenção numa sessão fechada da X conferência de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorreu em Díli.

O Presidente, que leu uma declaração escrita em português, reconheceu que no seu país não se fala português «com fluidez» e afirmou que o objetivo não é substituir o espanhol, a língua mais falada na Guiné Equatorial.

Mas,«o governo da Guiné Equatorial acaba de aprovar a criação de um centro de estudos multidisciplinares de expressão portuguesa dedicado aos países da CPLP, cujas portas se abrirão ao público no ano escolar de 2015», anunciou Teodoro Obiang durante a sua intervenção numa sessão fechada, na X conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que hoje aprovou em Díli a adesão de Malabo como membro de pleno direito.