Meriam Ishag, uma sudanesa que se tornou cristã e que foi por isso condenada à morte por enforcamento, deu esta terça-feira à luz na prisão, de acordo com um diplomata.

«Ela deu hoje à luz uma menina», disse à AFP o diplomata, que pediu anonimato, acrescentando que a mãe e a bebé «aparentam estar bem».

O caso de Meriam Ishag provocou reações por todo o mundo, depois de um tribunal da zona de Cartum, capital do Sudão, a ter sentenciado à morte no dia 15 de maio pelo crime de apostasia.

A vida de um filho pode ser um milagre. Meriam Ishag aguarda agora um milagre, aquele que a pode salvar da morte, já que o nascimento da criança era a única razão que a segurava a vida.

Há menos de duas semanas, as autoridades judiciais sudanesas cederam parcialmente no caso de Meriam Yehya Ibrahim Ishag, a mulher grávida de oito meses e condenada à morte por enforcamento por se recusar a converter ao Islão e decidiram esperar que o bebé nascesse antes de fazerem cumprir a sentença.

Nos últimos dias, a Amnistia Internacional tem tentado tudo para anular a sentença e salvar Meriam da morte.

As embaixadas de vários países ocidentais, como os Estados Unidos, o Canadá, o Reino Unido e a Holanda, manifestaram «preocupação profunda» pelo caso e pediram ao Sudão que respeite o direito universal de todos a expressarem a sua própria religião.

O que vai suceder agora a Meriam Ishag? Um milagre?Há alguns dias, o marido disse à CNN sentir-se completamente impotente. «Sinto-me tão frustrado. Não sei o que fazer. Só me resta rezar», contou Daniel Wani, que agora devia chorar lágrimas de alegria pelo nascimento da filha.